terça-feira, 28 de agosto de 2012

"I Have a Dream"

      Num dia como o de hoje (28 de agosto) mas de 1963 (há 49 anos), terminava em Washington (EUA) a grande marcha pela igualdade dos direitos cívicos, com cerca de 200 mil pessoas, onde Martin Luther King profere o seu famoso discurso intitulado: “I Have a Dream” (Eu tenho um sonho).
      «A liberdade nunca é voluntariamente cedida pelo opressor; deve ser exigida pelo oprimido.»
      Martin Luther King (1929-1968)
      Foi um dos mais importantes e incontornáveis líderes mundiais do movimento dos direitos civis, especialmente dos negros nos Estados Unidos, com uma campanha de não-violência e de amor ao próximo. King era seguidor da ideia lançada por Gandhi da desobediência civil não violenta.
      Acertadamente previu que as manifestações organizadas e não violentas contra o sistema de segregação predominante no sul dos Estados Unidos, apesar de atacadas de modo violento pelas autoridades racistas, detinham uma ampla cobertura dos meios de comunicação de massas, o que permitia criar uma opinião pública favorável ao cumprimento dos direitos civis e assim orientou a sua luta, acendendo o debate acerca dos direitos civis e tornando-o até o principal assunto político nos Estados Unidos a partir do começo da década de 1960.
      Organizou e liderou marchas pelo direito ao voto, o fim da segregação, o fim das discriminações no trabalho e outros direitos civis básicos. A maior parte destes direitos foi, mais tarde, agregada à lei geral dos EUA com a aprovação da Lei de Direitos Civis (1964) e da Lei de Direitos Eleitorais (1965).
      O protesto não violento irritava as autoridades racistas dos locais onde se davam os protestos e, invariavelmente, tais autoridades, retaliavam sempre de forma violenta.
      Martin Luther King era odiado por muitos segregacionistas do sul, o que culminou no seu assassinato no dia 4 de abril de 1968, momentos antes de uma marcha, num hotel da cidade de Memphis.
      Dezoito anos depois da sua morte, em 1986, foi estabelecido um feriado nacional nos Estados Unidos para homenagear Martin Luther King, o chamado Dia de Martin Luther King (sempre na terceira segunda-feira do mês de janeiro, data próxima ao aniversário de King). Em 1993, pela primeira vez, o feriado foi cumprido em todos os estados do país.
      Luther King foi a pessoa mais jovem a receber o Prémio Nobel da Paz, em 1964, pouco antes de seu assassinato.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Sinal de Saúde Mental

      «Não é um sinal de boa saúde mental estar bem adaptado a uma sociedade doente.»
      Jiddu Krishnamurti (1895-1986)
      Filósofo, escritor e educador indiano. Entre os temas abordados incluem-se a revolução psicológica, meditação, conhecimento, liberdade, relações humanas, a natureza da mente, a origem do pensamento e a realização de mudanças positivas na sociedade global.
      Constantemente alertou para a necessidade de uma revolução na psique de cada ser humano e enfatizou que tal revolução não poderia ser levada a cabo por nenhuma entidade externa seja religiosa, política ou social. Uma revolução que só poderia ocorrer através do autoconhecimento e da prática correta da meditação do homem liberto de toda e qualquer forma de autoridade.

domingo, 26 de agosto de 2012

F.O.R.A.

       Num dia como o de hoje (26 de agosto) do ano de 1905, em Buenos Aires (Argentina) ocorria o quinto congresso da F.O.R.A. (Federación Obrera Regional Argentina), num difícil clima de repressão governamental e policial contra a classe trabalhadora, com a declaração de estado de sítio, prisões, greves e manifestações duramente reprimidas.
      Este congresso aprovou e recomendou a todos os participantes que divulgassem os seus conhecimentos adquiridos, dos princípios económicos e filosóficos do comunismo anarquistas, e os ensinassem aos trabalhadores.
      A F.O.R.A. nasce cerca de 4 anos antes com a designação inicial de F.O.A. (Federación Obrera Argentina) com a participação de 50 delegados trabalhadores, socialistas e anarquistas, representando cerca de trinta associações de trabalhadores da capital argentina e do interior do país. No entanto, no congresso do ano seguinte as divergências de pontos de vista entre socialistas e anarquistas revelaram-se inconciliáveis separando-se, vindo então a corrente anarquista a constituir a F.O.R.A. no seu quinto congresso de 1905, num dia como o de hoje, mantendo a sua visão comunista-anarquista.
      A F.O.R.A. chegou a ter 250 mil membros. Em 1909 dá-se uma nova cisão de acordo com as duas distintas visões nascidas, passando a existir a FORA do 9º congresso (reformista) e a FORA do 5º Congresso (fiel ao ideal libertário).
      Abaixo podes ver uma imagem do 5º congresso e um carimbo da Federação.

sábado, 25 de agosto de 2012

F. Nietzsche

      Num dia como o de hoje (25 de agosto) do ano de 1900, isto é, há 112 anos, morria Friedrich Nietzsche, um dos maiores e controversos filósofos do século XIX.
      Crítico da cultura ocidental, das suas religiões e, consequentemente, da moral judaico-cristã, Nietzsche é, juntamente com Marx e Freud, um dos autores mais controversos na história da filosofia moderna.
      Nietzsche considera o Cristianismo e o Budismo como "as duas religiões da decadência", embora afirme haver uma grande diferença nessas duas concepções. O budismo para Nietzsche "é cem vezes mais realista que o cristianismo".
      Até cerca de onze anos antes da sua morte, Nietzsche não cessa de escrever a um ritmo sempre crescente, terminando de forma abrupta em Janeiro de 1889 com uma “crise de loucura” com a qual passou, inicialmente, a considerar-se, alternativamente, figuras míticas: Dionísio e Cristo, expressando-se em bizarras cartas, afundando-se depois num silêncio quase total até à sua morte.
      Após a sua morte, a sua irmã Elizabeth falseou alguns escritos com o propósito de apoiar a causa anti-semita e o nacional socialismo (Nazismo) de Hitler, aproveitando-se este de alguns aspetos e interpretações para a sua ideologia e propaganda nazi, colagem esta que fez com que o cidadão comum viesse a considerar Nietzsche como mais um nazi, rejeitando os seus escritos sem sequer os ponderar. A irmã veio a ser bem tratada pelo regime fascista, morrendo confortavelmente.
      Friedrich Nietzsche quis ser o grande "desmascarador" de todos os preconceitos e ilusões do género humano, aquele que ousa olhar, sem temor, aquilo que se esconde por trás de valores universalmente aceites; por trás das grandes e pequenas verdades melhor assentadas, por trás dos ideais que serviram de base para a civilização e nortearam o rumo dos acontecimentos históricos, designadamente, a moral tradicional, a religião e a política não são para ele nada mais que máscaras que escondem uma realidade inquietante e ameaçadora, cuja visão é difícil de suportar.
      Nietzsche golpeou violentamente essa moral que impede a revolta dos indivíduos inferiores, das classes subalternas e escravas contra a classe superior e aristocrática que, por um lado, pelo influxo dessa mesma moral, sofre de má consciência e cria a ilusão de que mandar é por si mesmo uma forma de obediência. Essa traição ao "mundo da vida" é a moral que reduz a uma ilusão a realidade humana e tende asceticamente a uma fictícia racionalidade pura.
      Com efeito, Nietzsche procurou arrancar e rasgar as mais idolatradas máscaras.
      A vida só se pode conservar e manter-se através de imbricações incessantes entre os seres vivos, através da luta entre vencidos que gostariam de sair vencedores e vencedores que podem a cada instante ser vencidos e por vezes já se consideram como tais. Neste sentido a vida é vontade de poder ou de domínio ou de potência, vontade essa que não conhece pausas, e por isso está sempre criando novas máscaras para se esconder do apelo constante e sempre renovado da vida; pois, para Nietzsche, a vida é tudo e tudo se esvai diante da vida humana. Porém as máscaras, segundo ele, tornam a vida mais suportável, ao mesmo tempo em que a deformam, mortificando-a à base de cicuta e, finalmente, ameaçam destruí-la.
      Não existe via média, segundo Nietzsche, entre aceitação da vida e renúncia. Para salvá-la, é mister arrancar-lhe as máscaras e reconhecê-la tal como é: não para sofrê-la ou aceitá-la com resignação, mas para restituir-lhe o seu ritmo exaltante, o seu merismático júbilo.
      Na sua obra “O Anticristo” afirmava:
      «O cristianismo tomou o partido de tudo o que é fraco, baixo, incapaz, e transformou em um ideal a oposição aos instintos de conservação da vida saudável; e até corrompeu a faculdade daquelas naturezas intelectualmente poderosas, ensinando que os valores superiores do intelecto não passam de pecados, desvios 'tentações'. O mais lamentável exemplo: a concepção de Pascal, que julgava estar a sua razão corrompida pelo pecado original; estava corrompida sim, mas apenas pelo seu cristianismo!»

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Francisco Quintal

       Num dia como o de hoje (24 de agosto) mas do ano de 1898 (há114 anos), nascia no Funchal (ilha da Madeira, Portugal) Francisco Quintal.
      Quintal foi um importante militante e propagandista anarquista e anarco-sindicalista português.
      Filho de uma família burguesa, faz os seus estudos na escola náutica de Lisboa e descobre o anarquismo aos 15 anos, com os escritos de Jean Grave, começando a frequentar as “Juventudes Sindicalistas”.
      A partir de 1921 começa a colaborar com alguns grupos anarquistas, como “Novos Horizontes” ou “Grupo Anarquista Claridade”, vindo a representar a União Anarquista Portuguesa (UAP) no Congresso Anarquista de Alenquer em 18 de março de 1923.
      A U.A.P. lança em 1925 o seu órgão de imprensa, o jornal “O Anarquista”, que Francisco passa a coordenar.
      Em julho de 1927 é de novo delegado da U.A.P. ao congresso de Valencia (Espanha) onde se decide a criação da Federação Anarquista Ibérica.
      A polícia fascista acaba por o considerar o chefe dos anarquistas portugueses e prende-o e deporta-o para Angola, na altura uma colónia portuguesa, até 1929, regressando a Portugal onde milita clandestinamente na F.A.R.P. (Federação Anarquista da Região Portuguesa) e colabora ativamente com as publicações anarquistas da época, como: “O Argonauta”, “A Batalha”, “A Comuna” e outras e dedica-se ainda à tradução, de forma clandestina, de inúmeras obras anarquistas como "Les Syndicats et la Révolution Sociale" de Pierre Besnard.
      Durante os anos da ditadura mantém, juntamente com a militante Miquelina Sardinha, sua companheira, uma atividade política possível, mantendo a sua atividade de capitão da marinha mercante, que lhe proporcionou novos contactos com muitos companheiros de diversos países.
      Com a queda da ditadura (25 de Abril de 1974), funda em Almada, com outros anarquistas, como Adriano Botelho, o Centro de Cultura Libertária e edita o jornal “Voz Anarquista”.
      Veio a falecer de um enfarte, em Lisboa, a 4 de fevereiro de 1987.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Sacco e Vanzetti

      Num dia como o de hoje (23 de agosto) do ano de 1927, Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, anarquistas italo-americanos, são executados, pouco depois da meia-noite, na cadeira elétrica da prisão de Charleston (estado de Massachusetts, EUA).
      Abaixo está o título do jornal da I.W.W., publicado 10 dias antes, no qual se anunciava a execução. A novidade desta execução reside no facto de que pela primeira vez este ato (pena de morte) gerou uma grande mobilização de reprovação internacional sem precedentes, até com inúmeros atos de cólera e violência contra o governo americano que, no entanto, não impediu a execução.
      Em 1977, 50 anos após a execução, o estado de Massachusetts considerou que a pena de morte pela acusação de homicídio não devia ter sido aplicada, reabilitando os nomes dos executados.
      Abaixo está ainda a reprodução de um selo de correio da Micronésia em homenagem a Sacco e a Vanzetti.
     

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Cartier-Bresson e a Ética Subjacente

      Num dia como o de hoje mas do ano de 1908 (há 104 anos), nascia em França Henri Cartier-Bresson, um dos maiores fotógrafos do século XX e também um grande anarquista que não cessava de referir a grande admiração que nutria por Bakunine.
      Para além de fotógrafo iniciou-se no cinema, tendo sido assistente do realizador Jean Renoir, tendo vindo a realizar um documentário, durante a Revolução Espanhola (em 1937) sobre os hospitais republicanos que intitulou “Victoire de la Vie” (Vitória da Vida).
      Quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial, Bresson serviu o exército francês e durante a invasão alemã, Bresson foi capturado e levado para um campo de prisioneiros de guerra. Tentou por duas vezes escapar e somente na terceira obteve sucesso. Juntou-se à Resistência Francesa em sua guerrilha pela liberdade. Quando se restabeleceu a paz, Cartier-Bresson, em 1947, fundou a famosa agência fotográfica “Magnum” juntamente com Bill Vandivert, Robert Capa, George Rodger e David Seymour "Chim".
      Revistas como a Life, Vogue e Harper's Bazaar contrataram-no para viajar pelo Mundo e registrar imagens únicas. Da Europa aos Estados Unidos da América, da Índia à China, Bresson dava sempre o seu ponto de vista especialíssimo. Tornou-se também o primeiro fotógrafo da Europa Ocidental a registar a vida na União Soviética de maneira livre. Fotografou os últimos dias de Gandhi e os eunucos imperiais chineses, logo após a Revolução Cultural.
      Em 1974, abandona as reportagens fotográficas e dedica-se ao desenho.
      No primeiro de maio de 2000, participa numa exposição de fotografia com o tema "Vers un autre futur, un regard libertaire" (Sobre um Outro Futuro, Um Olhar Libertário), assim se aliando às manifestações da CNT francesa.
      Cartier-Bresson viria a morrer também em Agosto, no ano de 2004, aos 96 anos.
      Dizia: "L'anarchie c'est une éthique avant tout. Une éthique d'homme libre.” (O Anarquismo é uma ética subjacente a tudo. Uma ética de Homem livre)
      Em baixo está uma fotografia de Bresson realizada em 1975 na prisão modelo de Leesbury (EUA).

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Caçada em África

      A empresa mineira “Lonmin” (https://www.lonmin.com/), com sede em Londres e exploração em Marikana (a cerca de 100 Km de Joanesburgo), na África do Sul, anunciou hoje que, afinal, não vai despedir os trabalhadores em greve, apesar de os ter ameaçado que se hoje não votassem ao trabalho perderiam o emprego.
      Cerca de 30% dos trabalhadores voltaram ao trabalho enquanto os restantes, reunidos no exterior das instalações mineiras, decidiam continuar a greve, pelo menos por mais uma semana, também de luto pelos 34 mineiros mortos pela polícia, insistindo, no entanto, que preferem morrer a voltar à escravatura da mina.
      Há quatro dias atrás, e após uma semana de greve, a polícia disparou indiscriminadamente sobre os manifestantes tendo morto 34 e ferido 78 mineiros. A polícia referiu que o fez como autodefesa, uma vez que os grevistas para eles se dirigiam com a intenção de os atacar.
      Um mineiro afirmava a um jornal sul-africano: «Já morreram pessoas, por isso não temos mais nada a perder… Vamos continuar a lutar por aquilo que acreditamos ser uma luta legítima por ordenados que permitam viver. Preferimos morrer como os nossos companheiros a desistir. A única coisa que pode acabar com esta greve é uma resposta positiva da administração. Ainda me pergunto por que é que a administração se recusa a negociar connosco.»
      Os trabalhadores exigem melhores condições de trabalho e um aumento de salário para o triplo do que ganham actualmente: cerca de 300 euros.
      Antes da morte dos 34 mineiros já tinham morrido 10 pessoas em confrontos entre dois sindicatos e entre os trabalhadores e a polícia.
      O chefe da polícia sul-africana, Riah Phiyega, disse que os polícias que dispararam sobre os grevistas não devem arrepender-se do que aconteceu: «A segurança pública não é negociável. Não lamentem o que aconteceu.»
      O massacre foi já amplamente classificado como o pior derramamento de sangue em confrontos entre polícia e trabalhadores desde o fim do apartheid, em 1994.
      O presidente do país (Jacob Zuma) decretou uma semana de luto e criou uma comissão interministerial para lidar com a crise, reiterando que é necessário um inquérito judicial e afirmando que: «Temos de evitar apontar o dedo e recriminar. Temos de nos unir contra a violência.»




segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Angiolillo

      Num dia como o de hoje, do ano de 1897 (há 115 anos), foi executado com o garrote o anarquista italiano Michele Angiolillo Lombardi, com 26 anos de idade (1871-1897), na prisão de Vergara (Guipúzcoa) (Pais Basco) (Espanha).
      A sua condenação à morte foi motivada pelo atentado que cometeu contra o presidente do conselho espanhol (António Cánovas del Castillo).
      Angiolillo era adepto da propaganda pelos atos, tendo escrito diversos artigos que, considerados subversivos, lhe valeram condenação a 18 meses de prisão pela publicação.
      Depois de Itália, viveu em Marselha, Barcelona, Bruxelas, Lisboa, Paris e Madrid.
      A sua execução ocorreu 12 dias após o atentado. Angiolillo foi até à estação balnear de Santa Agueda, no País Basco, onde, com quatro tiros de revólver, mata o político reacionário presidente do conselho espanhol, responsável pela tortura e pela execução de anarquistas em maio desse ano em Montjuich (Barcelona), bem como contra a guerra colonial que a Espanha mantinha nessa altura em Cuba. Uma vez concretizado o atentado deixou-se prender.

domingo, 19 de agosto de 2012

A Solidariedade

      Num dia como o de hoje (19 de agosto), do ano de 1888, saia à luz em Sevilha (Espanha) o jornal “La Solidaridad”.
      Este quinzenário sairá durante 59 números até 1889.
      No número de 12 de janeiro de 1889 é publicado o artigo de Mella “La Anarquia no admite adjetivos” (O Anarquismo não admite/necessita adjetivos).

sábado, 18 de agosto de 2012

Apartheid

      Num dia como o de hoje mas do ano de 1964 (há 48 anos), o Comité Olímpico Internacional bania a África do Sul dos Jogos Olímpicos, por não renunciar ao regime de segregação racial conhecido por “apartheid”.
      O regime de segregação racial determinava, por lei, que os brancos detinham o poder total e os demais cidadãos não brancos deveriam viver separados dos brancos com regras próprias que lhes impunham, não lhes permitindo qualquer direito de cidadania.
      A segregação ia ao pormenor de distinguir os transportes públicos, havendo transportes próprios para brancos e outros, piores, para negros, com as suas respetivas e distintas paragens. Segregava-se tudo: lojas, praias, piscinas, bibliotecas, até os bancos nos jardins tinham indicações de “só para brancos” ou “só para europeus” e “para não europeus”.


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Federação Ibérica da Juventude Libertária

      Num dia como o de hoje (17 de agosto) do ano de 1963 (há 49 anos), em Madrid, eram executados, pelo garrote, dois jovens ativistas das Juventudes Libertárias (F.I.J.L.): Joaquín Delgado Martinez e Francisco Granado Gata.
      Presos e torturados depois do atentado do dia 29 de julho desse mesmo ano, isto é, 19 dias antes, foram julgados no dia 13 de agosto por um conselho de guerra que os condenou à morte, sem provas, considerando-os culpados do atentado que de facto não cometeram ainda que com ele pudessem concordar.
      O atentado consistiu na explosão de duas bombas contra a sede da Direção Geral de Segurança que causou cerca de vinte feridos ligeiros, por ter deflagrado prematuramente. Este acontecimento veio justificar todas as ações seguintes levadas a cabo pela polícia espanhol detendo todos os antifranquistas (Franco, o general ditador).
      Em baixo podes ver um fragmento de um folheto em que se apela à juventude para que esteja preparada e ingresse nas Juventudes Libertárias, bem como as fotos dos companheiros executados.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Coragem Companheiros

      Num dia como o de hoje (16 de agosto) do ano de 1894 (há 118 anos), pelas 04H55 da manhã, em frente à cadeia de Saint-Paul, ocorria a execução pela guilhotina do jovem anarquista Sante Geronimo Caserio, aos 22 anos de idade (1873-1894).
      Caserio foi um anarquista italiano que se celebrizou por ter apunhalado e morto o presidente francês, com um único golpe.
      Caserio mandou fazer um punhal de propósito para o ato, com cabo em cobre e listras intercaladas de veludo negro e vermelho.
      Em junho, após um banquete, dirigindo-se o presidente francês, em carruagem aberta, a um baile de gala, Caserio saltou para a carruagem e, de um só golpe, apunhalou o presidente, cravando o punhal entre o pescoço e o peito.
      No julgamento, Caserio veio a ser condenado à pena de morte, por guilhotina, tendo recebido o veredicto com um grito de “Viva a Revolução”.
      As suas últimas palavras no tribunal foram:
      «Se os governantes podem usar contra nós espingardas, correntes e prisões, nós devemos – nós os anarquistas, para defendermos nossas vidas – devemos ater-nos às nossas premissas? Não. Pelo contrário, a nossa resposta aos governantes será a dinamite, a bomba, o estilete, o punhal. Em uma palavra, temos que fazer tudo o possível para destruir a burguesia e o governo.»
      No cadafalso, segundos antes de morrer, Caserio gritou à multidão que assistia:
      «Coraggio compagni e viva l’Anarchia.» (Coragem Companheiros e viva a Anarquia [o Anarquismo]).
      A memória de Caserio, bem como do seu corajoso maior ato não foi apagada com a sua execução, tendo sido sempre recordado ao longo dos anos seguintes. Um ano depois, assinalando a data da sua execução, em Itália, uma bomba explodia no consulado de França e em 1896 surgiria até uma revista publicada em castelhano, em Buenos Aires, intitulada “Caserio”.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

"Anonymous" é Marca Registada

      Uma empresa francesa registou como marca o nome “Anonymous”, o logótipo e um dos “slogans” dos ativistas: “We are Anonymous, we are legion, we do not forgive, we do not forget, expect us.” (Somos Anonymous, somos muitos, não perdoamos nem esquecemos, contem connosco).
      A pequena empresa francesa chama-se “Early Flicker” e o registo remonta já a fevereiro deste ano, no registo de patentes francês. A empresa usa o registo para vender “T-shirts”.
      O gerente da empresa divulgou uma nota no sítio da Internet esclarecendo que não pretende fazer dinheiro com os símbolos e que só vende dois ou três artigos por dia.
      Um internauta denominado “Anonymous francophone” colocou um vídeo intitulado “Anonymous não está à venda”, e promete represálias contra o gerente da empresa caso não deixe abandone o registo.
      Entretanto, a página da “Early Flicker” na Web http://www.eflicker.fr passou a estar indisponível, o mesmo sucedendo com a loja da empresa no sítio de leilões “eBay”.
      Anonymous” (Anónimos) denomina um coletivo de ativistas, sem uma estrutura organizada, que atua essencialmente “online”, maioritariamente em causas relacionadas com a liberdade de expressão. O coletivo nasceu nos Estados Unidos como um grupo de contestação à Igreja da Cientologia, mas entretanto alastrou a outros países e a outros assuntos.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Kelly Condenada a Prisão


      Kelly Pflug-Back (de 23 anos de idade) foi julgada por participar nos distúrbios contra o G-20 de 26 de junho de 2010 em Toronto (Canadá).
      Kelly foi detida durante as posteriores operações repressivas e acusada, num primeiro momento, de conspiração e assalto a um polícia e ficou, desde então, num regime de estrito arresto domiciliário, além de proibições e severas restrições de se relacionar com o resto dos implicados no mesmo caso, entre eles o seu companheiro sentimental.
      Por fim, Kelly foi acusada de 7 crimes por danos materiais, destruição de 3 carros da polícia e ataques contra estabelecimentos como a McDonalds, Adidas, American Apparel, Urban Outfitters e CIBC, para além de “por uso propositado de disfarce contra a polícia”.
      Durante o julgamento, Kelly reconheceu a culpabilidade das acusações contra ela formuladas e não demonstrou, perante elas, qualquer desculpa ou arrependimento, permanecendo indiferente ao julgamento e sentença.
      De acordo com a versão da polícia, Kelly dirigiu os ataques do "Black Bloc" evitando os ataques a pequenos comerciantes.
      O juiz, na sentença, com ânimo de outorgar dramatismo à mesma, afirma que os clientes e o pessoal que trabalhava nos estabelecimentos ficaram traumatizados e vincou ainda o facto de Kelly não ter demonstrado qualquer arrependimento.
      O julgamento terminou no passado dia 19 de julho e Kelly foi condenada a 15 meses de prisão efetiva, seguidos de 3 anos de liberdade vigiada. Esta é uma das sentenças mais graves no Canadá no que se refere a distúrbios de rua. Os demais processados do “Black Bloc” foram condenados a penas não privativas da liberdade.
      Kelly sempre reivindicou os atos, justificando o uso da cara tapada da seguinte forma:
      «Creio que cobrir-se a cara durante um protesto é uma forma de transmitir uma uniformidade e o anonimato; a minha identidade individual não tem importância, o que interessa é a causa mais ampla.»
      Após a sentença declarou: «Desde a minha detenção tenho pensado sobre o assunto, de como o Estado pode dar uma sentença mais pesada por partir uns vidros que por assaltar alguém ou por fazer mal a um ser vivo. Isto demonstra bem que o sistema jurídico se baseia na preservação e proteção da propriedade privada dos ricos. Valora-se mais o dinheiro do que um ser vivo, isto é doentio.»
      Se quiseres podes escrever para Kelly, pelo correio, para o seguinte endereço:
Kelly Pflug-Back
Vanier Women Prision
P.O.Box 1040
655 Martin Street
Milton, Ontario
L9T 5E6 Canadá

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A Estátua de Proudhon

      Faz agora precisamente 102 anos (13-08-1910) que se inaugurava a estátua de bronze de Pierre-Joseph Proudhon, realizada pelo escultor Georges Laethier e erigida na sua localidade natal (Besançon, França).
      Por ironia da história, a inauguração da estátua coincidiu com umas festas presidenciais, pelo que se assistiu a uma guarda militar e a discursos de políticos, todos rendendo homenagem àquele que é considerado o pai do anarquismo.
      A estátua foi, no entanto, retirada pelos Nazis, durante a ocupação da França e fundida, tal como muitas outras, para a realização de armamento.
      Em baixo está um postal da época com retrato da inauguração.

domingo, 12 de agosto de 2012

Se não to derem pega nele

      «Pede trabalho, se não to derem, pede pão e se não to derem, pega nele!»
      Emma Goldman (1869-1940)
      Emma foi uma anarquista conhecida pelo seu grande ativismo, seus escritos políticos e conferências que reuniam milhares de pessoas nos Estados Unidos. Teve um papel fundamental no desenvolvimento do anarquismo na América do Norte durante a primeira metade do século XX.

sábado, 11 de agosto de 2012

O Despertar Anarquista


      No vídeo abaixo está resumida toda a história do anarquismo, desde a Grécia Antiga até aos nossos dias, no Mundo em geral e na América Latina em particular, terminando com a biografia e pensamento de Daniel Barret (que também usava o pseudónimo de Rafael Spósito), sociólogo, jornalista, professor universitário e distinto militante anarquista uruguaio (1952-2009), cujo artigo “El mapa del despertar anarquista latinoamericano” serve de ponto de partida para este documentário.
      Daniel Barret dizia: «O anarquismo é minoritário, no entanto, tal facto nunca foi para nós motivo de impedimento. Os anarquistas sabemos aproximadamente o que queremos e quais os caminhos que nos podem levar nessa direção. Não temos a certeza quanto a um hipotético triunfo final, se é que existe um final, e isso nos paralisa? Evidentemente que não. Porquê? Porque a própria prática libertária é um objetivo em si mesma e o próprio facto de traçarmos um caminho próprio constitui uma meta e uma vitória.»

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A Expropriação de Alimentos


      Esta semana, os membros do Sindicato Andaluz de Trabalhadores (SAT) realizaram expropriações de alimentos numa rede de supermercados da Andaluzia (Espanha) com o objetivo de obter alimentos para uma cantina social.
      A ação foi levada a cabo nos supermercados "Mercadona", na localidade de Écija (Sevilha) e de Arcos de la Frontera (Cádiz). Esta ação foi liderada por Juan Manuel Sánchez Gordillo, de 33 anos, eleito presidente do município de Marinaleda e deputado da IU (Esquerda Unida) no Parlamento da Andaluzia.
      Cerca de 200 sindicalistas entraram no supermercado, encheram 10 carrinhos de compras com bens de primeira necessidade e forçaram a sua saída sem passar pelas caixas. Houve um momento de tensão quando alguns funcionários tentaram impedir que o grupo levasse os produtos e, supostamente, uma funcionária terá sido agredida. Os ânimos acalmaram-se com a chegada da polícia e o grupo pôde sair do estabelecimento com todos os produtos sem pagar nada.
      Juan Gordillo diz que “Alguém tem de fazer alguma coisa para as famílias continuarem a comer."
      Gordillo garante ainda que vão fazer mais ações e afirma que não pretende fugir, apesar de se constar que o ministro da Administração Interna, já dera ordem de prisão para Gordillo e os restantes autores da ação, tendo sido, para já, dois deles detidos e depois postos em liberdade.
      Gordillo explica ainda que organizou a ação de modo a que as autoridades não conseguissem impedi-la. "Fiz uma manobra de distração para a polícia me seguir, assim os meus colegas entraram no supermercado e tiraram os carros com os alimentos."
      Gordillo explica aos mass media que não se trata de um assalto mas sim de uma "expropriação forçada" de alimentos de primeira necessidade, como: azeite, açúcar, arroz, massa, leite, bolachas e legumes.
      Juan Manuel Sánchez Gordillo é presidente do município de Marinaleda desde 1979, tendo já liderado revoltas de ocupação de terras. É deputado no Parlamento da Andaluzia desde 2008, representando a província de Sevilha.
      A CNT de Andaluzia exprimia assim o apoio à expropriação, segue síntese adaptada e traduzida:
      «Esta ação tem um triplo valor: em primeiro lugar quebrou o discurso hegemónico de tratar de justificar que sejam os pobres e os trabalhadores a pagar os destroços da crise. Depois de privatizar tudo (educação, saúde, água, etc.), depois de destruir, de uma vez só, os mais elementares direitos laborais, depois de subir os impostos, etc. Parece que hoje os dirigentes do Banco Central Europeu têm a receita para que o sul da Europa saia da crise: baixar os salários e cortar ainda mais os direitos laborais e sociais. Ou seja, mais do mesmo daquilo que até aqui nos trouxe.
      A ação do SAT fez emergir na vida pública que os trabalhadores não querem pagar a crise que não criaram e que existem múltiplas alternativas ao que hoje ocorre, designadamente, apostar por uma redistribuição dos recursos mais equitativa.
      Em segundo lugar, esta ação, veio mostrar a irracionalidade de um sistema económico em que as grandes empresas acumulam alimentos e até os destroem, enquanto a poucos metros existem centenas e milhares de pessoas a passar por necessidades. O mercado é, claramente, uma instituição incompetente para controlar os nossos recursos. É necessário construir alternativas baseadas no cooperativismo, algo que no SAT já fazem há muitos anos e hoje se pode comprovar nas experiências de Somonte e das Turquillas.
       Em terceiro lugar, satisfaz-nos ver que, frente aos pactos e subsídios milionários dos sindicatos oficiais CCOO e UGT, existam sindicatos combativos que apostem pela desobediência. Pode ser que a ação do SAT seja ilegal mas essa ilegalidade não foi o povo que a concebeu. A lei representa os interesses e os valores dos poderosos e uma mudança social só será possível se se estender a desobediência e a solidariedade com os desobedientes.»
      Há cerca de 15 dias, Sánchez Gordillo e outros sindicalistas do SAT ocuparam e mantêm a ocupação desde então de uma propriedade do Ministério da Defesa espanhol na localidade de Écija. Reclamam que o Exército dê as terras aos agricultores que estão passando fome.
      Em Espanha quase 25% da população está desempregada e o país atravessa uma profunda depressão económica.
      Mais info em:



quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Tudo Por Fazer


      “Tudo Por Fazer” é o nome da publicação anarquista do estado espanhol, de seu verdadeiro nome “Todo Por Hacer”, que acaba de disponibilizar no seu sítio da Internet o último número relativo a este mês de agosto de 2012.
      É o seu número 19 desta publicação mensal que começou a editar esta publicação, de forma ininterrupta, há, portanto, 19 meses, isto é, desde fevereiro de 2011, pese embora já desde 2010 que se iniciara nestas andanças divulgativas.
      Esta publicação não está só em formato digital (gratuito) no seu sítio mas também em formato de papel nas ruas, essencialmente de Madrid, onde tem sede, igualmente com distribuição gratuita.
      Esta publicação editou ainda, alguns trabalhos temáticos: em setembro de 2010 sobre a Reforma Laboral, em fevereiro de 2011 sobre a Reforma das Pensões, também em 2011, um terceiro sobre as Eleições de 20 de novembro e, o último até agora, sobre a Reforma Laboral do atual governo espanhol, editado em fevereiro deste ano 2012.
      Na coluna dos “Sítios a Visitar” está uma ligação permanente a “Todo Por Hacer”, onde podes descarregar a última publicação e todas as demais.
      Nesta edição encontrarás os seguintes artigos:
      - Miércoles negro
      - Quieren acabar con todo? No, nosotros queremos acabar con todo! Balance y reflexiones sobre las movilizaciones del mes de julio
      - Sobre los fuegos en Valencia, los recortes y la militarización de las emergencias
      - Presencia policial y planificación urbanística: las nuevas herramientas de control social al servicio del poder en Lavapiés
      - Lucha por la autogestión de una fábrica en Tesalónica
      - La maquinización del mundo: Val di Susa como ejemplo
      - La tiranía de la imagen
      Há ainda livros e outras publicações recomendados, um filme e a referência aos últimos programas de alguns projetos radiofónicos.