sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A Expropriação de Alimentos


      Esta semana, os membros do Sindicato Andaluz de Trabalhadores (SAT) realizaram expropriações de alimentos numa rede de supermercados da Andaluzia (Espanha) com o objetivo de obter alimentos para uma cantina social.
      A ação foi levada a cabo nos supermercados "Mercadona", na localidade de Écija (Sevilha) e de Arcos de la Frontera (Cádiz). Esta ação foi liderada por Juan Manuel Sánchez Gordillo, de 33 anos, eleito presidente do município de Marinaleda e deputado da IU (Esquerda Unida) no Parlamento da Andaluzia.
      Cerca de 200 sindicalistas entraram no supermercado, encheram 10 carrinhos de compras com bens de primeira necessidade e forçaram a sua saída sem passar pelas caixas. Houve um momento de tensão quando alguns funcionários tentaram impedir que o grupo levasse os produtos e, supostamente, uma funcionária terá sido agredida. Os ânimos acalmaram-se com a chegada da polícia e o grupo pôde sair do estabelecimento com todos os produtos sem pagar nada.
      Juan Gordillo diz que “Alguém tem de fazer alguma coisa para as famílias continuarem a comer."
      Gordillo garante ainda que vão fazer mais ações e afirma que não pretende fugir, apesar de se constar que o ministro da Administração Interna, já dera ordem de prisão para Gordillo e os restantes autores da ação, tendo sido, para já, dois deles detidos e depois postos em liberdade.
      Gordillo explica ainda que organizou a ação de modo a que as autoridades não conseguissem impedi-la. "Fiz uma manobra de distração para a polícia me seguir, assim os meus colegas entraram no supermercado e tiraram os carros com os alimentos."
      Gordillo explica aos mass media que não se trata de um assalto mas sim de uma "expropriação forçada" de alimentos de primeira necessidade, como: azeite, açúcar, arroz, massa, leite, bolachas e legumes.
      Juan Manuel Sánchez Gordillo é presidente do município de Marinaleda desde 1979, tendo já liderado revoltas de ocupação de terras. É deputado no Parlamento da Andaluzia desde 2008, representando a província de Sevilha.
      A CNT de Andaluzia exprimia assim o apoio à expropriação, segue síntese adaptada e traduzida:
      «Esta ação tem um triplo valor: em primeiro lugar quebrou o discurso hegemónico de tratar de justificar que sejam os pobres e os trabalhadores a pagar os destroços da crise. Depois de privatizar tudo (educação, saúde, água, etc.), depois de destruir, de uma vez só, os mais elementares direitos laborais, depois de subir os impostos, etc. Parece que hoje os dirigentes do Banco Central Europeu têm a receita para que o sul da Europa saia da crise: baixar os salários e cortar ainda mais os direitos laborais e sociais. Ou seja, mais do mesmo daquilo que até aqui nos trouxe.
      A ação do SAT fez emergir na vida pública que os trabalhadores não querem pagar a crise que não criaram e que existem múltiplas alternativas ao que hoje ocorre, designadamente, apostar por uma redistribuição dos recursos mais equitativa.
      Em segundo lugar, esta ação, veio mostrar a irracionalidade de um sistema económico em que as grandes empresas acumulam alimentos e até os destroem, enquanto a poucos metros existem centenas e milhares de pessoas a passar por necessidades. O mercado é, claramente, uma instituição incompetente para controlar os nossos recursos. É necessário construir alternativas baseadas no cooperativismo, algo que no SAT já fazem há muitos anos e hoje se pode comprovar nas experiências de Somonte e das Turquillas.
       Em terceiro lugar, satisfaz-nos ver que, frente aos pactos e subsídios milionários dos sindicatos oficiais CCOO e UGT, existam sindicatos combativos que apostem pela desobediência. Pode ser que a ação do SAT seja ilegal mas essa ilegalidade não foi o povo que a concebeu. A lei representa os interesses e os valores dos poderosos e uma mudança social só será possível se se estender a desobediência e a solidariedade com os desobedientes.»
      Há cerca de 15 dias, Sánchez Gordillo e outros sindicalistas do SAT ocuparam e mantêm a ocupação desde então de uma propriedade do Ministério da Defesa espanhol na localidade de Écija. Reclamam que o Exército dê as terras aos agricultores que estão passando fome.
      Em Espanha quase 25% da população está desempregada e o país atravessa uma profunda depressão económica.
      Mais info em:



quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Tudo Por Fazer


      “Tudo Por Fazer” é o nome da publicação anarquista do estado espanhol, de seu verdadeiro nome “Todo Por Hacer”, que acaba de disponibilizar no seu sítio da Internet o último número relativo a este mês de agosto de 2012.
      É o seu número 19 desta publicação mensal que começou a editar esta publicação, de forma ininterrupta, há, portanto, 19 meses, isto é, desde fevereiro de 2011, pese embora já desde 2010 que se iniciara nestas andanças divulgativas.
      Esta publicação não está só em formato digital (gratuito) no seu sítio mas também em formato de papel nas ruas, essencialmente de Madrid, onde tem sede, igualmente com distribuição gratuita.
      Esta publicação editou ainda, alguns trabalhos temáticos: em setembro de 2010 sobre a Reforma Laboral, em fevereiro de 2011 sobre a Reforma das Pensões, também em 2011, um terceiro sobre as Eleições de 20 de novembro e, o último até agora, sobre a Reforma Laboral do atual governo espanhol, editado em fevereiro deste ano 2012.
      Na coluna dos “Sítios a Visitar” está uma ligação permanente a “Todo Por Hacer”, onde podes descarregar a última publicação e todas as demais.
      Nesta edição encontrarás os seguintes artigos:
      - Miércoles negro
      - Quieren acabar con todo? No, nosotros queremos acabar con todo! Balance y reflexiones sobre las movilizaciones del mes de julio
      - Sobre los fuegos en Valencia, los recortes y la militarización de las emergencias
      - Presencia policial y planificación urbanística: las nuevas herramientas de control social al servicio del poder en Lavapiés
      - Lucha por la autogestión de una fábrica en Tesalónica
      - La maquinización del mundo: Val di Susa como ejemplo
      - La tiranía de la imagen
      Há ainda livros e outras publicações recomendados, um filme e a referência aos últimos programas de alguns projetos radiofónicos.


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Cruz Negra Anarquista Desde Adentro


      Os coletivos sob a designação de “Cruz Negra Anarquista” existem em diversas partes do planeta, ultrapassando já os 30 coletivos locais, centrados na problemática das prisões e dos presos.
      Estes coletivos estão organizados por aqueles que estão fora das prisões, no entanto, acaba de chagar a notícia do primeiro coletivo organizado dentro de uma prisão e que assim nasce de dentro para dentro, ao contrário do que era habitual: de fora para dentro.
      Este novo coletivo denomina-se “Cruz Negra Anarquista Desde Adentro” e foi organizado por companheiros presos colombianos.
      Este recente e pequeno grupo apresenta-se assim:
      «La CNA-Desde Adentro es un pequeño equipo de trabajo compuesto por revolucionarios que decidimos tomar las de la causa libertaria como resultado, no de una simple aventura intelectual, sino de un proceso de lucha radical en el que hemos empeñado todas nuestras fuerzas a lo largo de nuestras vidas – desde temprana edad –,  en cuyos avatares fuimos cultivando una actitud crítica y autocrítica, un compromiso inclaudicable con la transformación profunda del estado de las cosas imperantes, una sensibilidad aguda y solidaria ante el sufrimiento humano y una disposición de combate contra toda opresión.
      Formadxs inicialmente en el marxismo-leninismo y forjadxs en las organizaciones que con temple irrestricto han participado de la confrontación con el Estado Colombiano y sus clases dominantes, primero desde la legalidad y luego desde las filas insurgentes de las FARC-EP, donde tuvimos el honor de luchar y combatir hombro a hombro con mujeres y hombres sencillos, honestos y leales al pueblo, quienes dispuestxs a ofrendar lo mejor de sí sacrificaron, unxs, y aún sacrifican, otrxs, hasta la vida misma.
      En ello, como nuestra propia cuota de sacrificio, llegamos a prisión desde donde hemos mantenido posturas rebeldes participando en procesos y espacios de resistencia contra el establecimiento y sus políticas de dominación. También, reconociendo los principios y valores revolucionarios de aquellas organizaciones en que nos formamos y luchamos, sus aportes, conquistas, aciertos y acumulados históricos, tanto como sus errores y deficiencias; en un proceso de reflexión , análisis y estudio de la experiencia vivida junto con un proceso de retorno a los clásicos y sus fundamentos dimos un salto cualitativo hacia el pensamiento ácrata, refrendado nuestra voluntad de lucha, nuestra disposición a la resistencia, nuestra insumisión y convicción revolucionaria pero desde el desmantelamiento de toda “autoridad” que niegue o reste autonomía y libertad al ser humano.
      Apelamos pues, a las luchas que se organizan desde la horizontalidad y la cooperación fraternal, el trabajo solidario y autogestionario, desde el aporte individual consciente y voluntario. De allí que decidiéramos retomar la experiencia “Desde Adentro” que hace un par de años construyera la Cruz Negra Anarquista-Bogotá, con quienes a su vez sentimos afinidad y recogemos la identidad histórica que emulan. En consecuencia, fue un proceso práctico-teórico en que nos trajo al anarquismo como maduración de una vida entera de militancia y lucha, de amor a la humanidad y lealtad a la causa de los pueblos oprimidos y explotados que combaten y resisten por la libertad.
      CNA-D.A. / Una prisión de Bogotá, D.C / Colombia. Julio 2012»
      Podes comunicar com estes companheiros através do seguinte endereço: cruznegrabogota@riseup.net
      A Cruz negra Anarquista tem ligação permanente na coluna dos “Sítios a Visitar”.
 
 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Acidentes e Desastres Naturais: Os Incêndios


      A seguir está uma síntese traduzida e adaptada de um artigo publicado no sítio “A Las Barricadas”, sob o título “El Fuego es Político”, cujo texto original e integral podes ver em: http://www.alasbarricadas.org/noticias/node/21654.
      «Desde os meios de comunicação de massas e as notas oficiais, é costume considerar-se que as catástrofes naturais são o resultado de um fenómeno de sorte e azar. Atribui-se ao acaso e ao azar o facto de uma zona se desmoronar perante um terramoto, sofrer um incêndio ou se inundar.
      Se bem que a sorte é um fator do processo, no sentido da aleatoriedade, não é, no entanto, um fator predominante. De facto, são os factores socio-económicos e políticos que marcam a diferença entre um acidente e um desastre, tendo grande influência nestes processos.
      Por um lado, o perigo de sofrer um incêndio nas zonas de clima e ecossistema mediterrânico são mais altas que num clima e ecossistema atlântico. É próprio dos ecossistemas mediterrânicos arderem com certa periodicidade, já que o fogo é a perturbação que equilibra o ecossistema, mas nos incêndios naturais de um ecossistema não alterado, em que o fogo ocorre com uma baixa frequência, em períodos de uns 50 anos, e de baixa intensidade, com uma extensão pequena, permitindo que nessas pequenas parcelas haja regeneração do bosque.
      Os incêndios de grandes extensões e grande intensidade, provocam um grande número de impactos ambientais, como a perda de solo, avanço da desertificação e a alteração do ciclo hidrológico normal, por modificação das condições de infiltração da água no solo.
      Perante isto, poderíamos pensar que é no ecossistema mediterrânico onde ocorrem predominantemente os incêndios na Península Ibérica, no entanto, tanto em Espanha como em Portugal, a maior parte dos incêndios (mais de 70%) ocorre nas áreas atlânticas.
      De uma forma global, o primeiro ponto em que alteramos o equilíbrio entre fogo e bosque é a nossa sistemática destruição e fragmentação de habitats e desequilíbrio de ecossistemas. Ao fazer isto, aumentamos a frequência e a intensidade dos incêndios, quando nos ecossistemas deixam de existir certas cadeias tróficas que eliminam o material combustível. Devido ainda a certas estruturas de transporte, podemos também aumentar a extensão do incêndio, e, em simultâneo, estamos ainda a dificultar a autorregeneração, já que esta fragmentação impede a chegada de novos elementos, animais e vegetais, que colonizem o espaço queimado.
      Finalmente, a introdução de espécies (animais e vegetais) que não são próprias do ecossistema, tornam-se espécies invasoras que, perante estes fenómenos, invadem o habitat prejudicando as espécies autóctones.
      Não só destruímos habitats à custa do tijolo e do alcatrão, tem também havido a prática de queimar terrenos para mais tarde requalificá-los e urbanizá-los, pese embora a diversa legislação entretanto lançada para evitar essa requalificação. Por outro lado, a dinâmica económica tem funcionado no sentido do abandono do campo e do monte. Quando deixamos de aproveitar de forma sustentável o monte, isto é, num saudável equilíbrio de quem se sabe dependente da Natureza para se alimentar e para obter materiais e lenha, o monte deixa de se “limpar” de possíveis combustíveis e estes acumulam-se, ficando o material seco que faz aumentar a probabilidade do fogo, tanto em frequência como em intensidade e extensão. Ou seja, as tendências socio-económicas influem decisivamente nos nossos incêndios.
      Por outro lado, constata-se que a maior parte do monte é propriedade privada, o que acarreta um problema acrescido por inacessibilidade das comunidades aos terrenos privados para aproveitamento florestal e pastoreio.
      É importante ainda ter em conta a relevância que têm as queimadas do monte para a obtenção de pastos para os animais. Uma grande parte dos incêndios parece ter origem nesta forma intencional de obtenção de área para pastagens. Nota-se ainda a falta de implementação prática dos planos de proteção, com aplicação real das limpezas florestais, zonas de contenção, vigilantes, profissionais e meios de intervenção rápida, etc.
      Existem casos de catástrofes naturais onde o trabalho dos voluntários pode ser muito útil e efetivo. No caso do fogo, deveria produzir-se na fase de prevenção, limpando de combustível o monte e já não tão eficaz será a utilização de voluntários para o combate ao fogo, aqui se requerendo a eficácia de profissionais bem treinados e conhecedores da propagação do fogo no terreno, nesse terreno concreto que bem devem conhecer, com contratos laborais estáveis que os vinculem a determinada área que fica sob sua responsabilidade, em detrimento de contratos pontuais de pessoas que nem conhecem os locais, nem têm grande interesse no assunto por serem contratados apenas para alguns dias ou para um ou dois meses. O profissional contratado a tempo inteiro, tem estabilidade financeira e laboral, quer haja ou não incêndios, não tendo interesse sequer em que haja incêndios para ser contratado, o que se suspeita já não ocorra com o pessoal pontualmente contratado, o qual tem interesse nos incêndios, havendo até um grande interesse económico, quando se utilizam empresas privadas de helicópteros ou hidroaviões, por exemplo, os quais só ganham dinheiro se houverem incêndios.
      No passado dia 22 de julho, a Greenpeace, recorrendo a dados oficiais governamentais, anunciou que a superfície queimada era de 137 mil hectares, ou, na habitual conversão: 137 campos de futebol. Tendo em conta que o ano de 1994 foi o ano mais catastrófico de incêndios, com 138,5 campos de futebol, este ano parece que se atingirá um novo recorde. Nota que estes campos de futebol não são terrenos de relva da Monsanto mas antes terrenos de uma riqueza ecológica infinita.
      Não perdemos 137 ou mais campos de futebol, mas sim grandiosos ecossistemas dos quais dependemos intrinsecamente. Nenhum progresso poderá salvar-nos de uma hecatombe de desertificação e cimento, pelo que temos que ter consciência de que as políticas governamentais estão a atirar para o fogo, para além da lenha, a nós próprios; a nossa própria vida e sobrevivência.»

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Hiroshima

      Num dia assim, como o de hoje (6 de agosto), mas do ano de 1945 (há 67 anos), pelas 8 horas e 15 minutos da manhã,, todos os relógios pararam na mesma hora em Hiroshima. Os E.U.A. acabavam de lançar a primeira bomba atómica sobre a cidade japonesa de Hiroshima.
      No Memorial da Paz daquela cidade, dezenas de milhares de pessoas cumpriram hoje, como habitualmente o fazem, um minuto de silêncio, apenas quebrado pelo som do pêndulo de um sino de bronze aí instalado. Depois, seguiu-se a tradicional oferta de água e flores em memória das centenas de milhares de mortos.
      Após a Bomba, Hiroshima continuou a ser habitada, foi reconstruída e floresceu. Ao contrário da região em torno de Chernobil, na ex-república soviética da Ucrânia, onde se registou em 1986 o pior acidente da história da energia nuclear. Dois fenómenos distintos, e com consequências diversas.
      A bomba de urânio despejada pelo bombardeiro B-29 Enola Gay matou no imediato entre 60 a 80 mil pessoas. Muitos dos feridos acabaram por não resistir nos meses e anos seguintes, sobretudo devido aos efeitos das radiações. O balanço oficial mais recente das autoridades de Hiroshima aponta para 242’437 mortos, numa cidade então com 350 mil habitantes. Após o 6 de agosto de 1945, o mundo mudou de vez.
      O inferno de Hiroshima e de Nagasaki, o segundo ataque nuclear registado três dias depois com uma bomba de plutónio e que levou à rendição formal do Império japonês em 15 de agosto de 1945, continuam a suscitar acesa polémica.
      Para os defensores do ataque, foi a única forma de evitar o prolongamento de uma guerra que estava a provocar pesadas baixas nas forças norte-americanas.
      O Japão já tinha começado a sugerir iniciativas de paz, sobretudo após a conquista da ilha japonesa de Okinawa pelos “marines”. Mas o recém-empossado Presidente Harry Truman, insistiu no ataque e depois definiu Hiroshima como “a melhor coisa da história”.
      Para outros, tratou-se da concretização de uma experiência num gigante laboratório humano, e um aviso às ambições expansionistas da União Soviética na Ásia.
      Durante a Guerra-fria a corrida aos armamentos nucleares intensificou-se e as forças norte-americanas, entre outras, continuam a utilizar munições de urânio empobrecido nas suas operações militares.
      Hiroshima alberga hoje o Museu Memorial da Paz, construído na zona de impacto. Simbolicamente, uma esperança para o fim da existência de todas as armas nucleares.









domingo, 5 de agosto de 2012

O Problema

       No cartaz lê-se: “O governo não pode solucionar o problema... O problema é o governo.”
      Este cartaz bem explica o que vai nas cabeças de todos e que todos bem sabem onde reside o verdadeiro problema.

sábado, 4 de agosto de 2012

Dez Dias

      O sítio “Contra Info” acaba de fazer uma chamada a ações de propaganda, que a seguir se reproduz:
      «Fazemos uma chamada de dez dias de ações de propaganda, em tantos lugares quanto possível, a fim de promover as lutas que são mais ou menos conhecidas, mas também aquelas que são completamente desconhecidas para muita gente. Os indivíduos e/ou grupos que queiram participar nestes dez dias de temas de ação escolherão os temas e os meios segundo os seus próprios critérios e dinâmicas, pelo fortalecimento da solidariedade internacional e recíproca entre os oprimidos.
      Acima de tudo, o que propomos é tomar-se as ruas, pintando “slogans” e exibindo faixas em solidariedade com casos cuja difusão consideramos importante. Durante os últimos meses realizamos ações semelhantes em Atenas, como vocês também fizeram em várias ocasiões. No entanto, necessitamos de dar um passo em frente e simultaneamente levar a cabo este tipo de ações a nível europeu e, oxalá, mais além.
      Alguns de nós estamos no Reino Unido, Alemanha, França, Estado espanhol, Sérvia, Portugal, Grécia, mas também na América, pelo que podemos fazer de uma ação simples uma coisa bonita. Para aqueles que se sentem sós nos lugares onde habitam, pode parecer mais difícil… mas apenas se necessita de uma tela, tinta ou spray, para além de um bom sítio para colocar a faixa. Estejam onde estiverem, convoquem os vossos compas para que se passe a palavra.
      Desde 1 a 10 de agosto, podemos colocar faixas, colar cartazes e folhetos, realizar pintadas nas paredes ou levar a cabo qualquer outra ação que ajude à difusão do discurso anarquista/libertário para lá das fronteiras estatais e linguísticas. Por conseguinte, esperamos receber e difundir material fotográfico e/ou escrito de ações de compas, estejam onde estiverem.
      A princípios de agosto, coordenamos as nossas forças e levantamos a cabeça contra a repressão e a sociedade das prisões, contra os Estados e as suas fronteiras, contra o Capital e os seus benefícios. Podemos ser muitos; podemos estar em toda a parte.
      Rumo a uma guerrilha informativa… »
      O sítio “Contra Info” tem ligação permanente na coluna dos “Sítios a Visitar”.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A Regressão Egípcia

       No Egito acaba de ser lançado (coincidindo com o início do mês do Ramadão) um canal de televisão, o Maria TV, com estúdios no Cairo, gerido exclusivamente por mulheres cobertas por véu preto (niqab) que lhes cobre a totalidade da cara deixando apenas ver os seus olhos.
      No Egito há, no entanto, um grande debate sobre o uso do véu (niqab). Algumas universidades públicas chegaram mesmo a banir os véus durante os exames e nos dormitórios, levando a inúmeras batalhas judiciais.
      Há mulheres que se queixam de um mercado de trabalho hostil ao uso do véu, enquanto os críticos mostram a sua preocupação em relação à ascensão do islamismo político no Egito, temendo que este venha radicalizar a sociedade.
      A criação de um canal de televisão que emprega apenas mulheres com as caras cobertas é uma "reviravolta" no caminho percorrido na "Primavera Árabe".
      Nota que até as mãos são cobertas por luvas mas, no entanto, as personagens de ficção, têm a cara descoberta, como o boneco-máscara da fotografia abaixo, que é a única, em toda a estação de televisão, que não usa véu.
      A televisão pertence ao projeto de Abdallah, mais conhecido pela alcunha de Abu Islam, que diz que o objetivo do canal é mostrar às mulheres que não necessitam mostrar a sua beleza ao Mundo enquanto são vistas; «é uma nova era para as mulheres que vestem niqab».
      Os islamistas foram durante muito tempo (décadas) reprimidos pelo Estado que se pretendia ocidentalizar. Agora, após o fim da era Hosni Mubarak e a vitória eleitoral dos conservadores islâmicos, estes sentem chegado o momento para a sua expansão.
      Abu Islam detém a Ummah TV, estação de televisão que agora opera livremente mas que foi severamente censurada, destruída e proibida por Mubarak. O próprio Abu Islam foi preso diversas vezes, sempre por difundir as suas ideias conservadoras.
      Atualmente, a estação emite livremente todos os conteúdos que pretende, pois quem governa o Egito são os fundamentalistas da irmandade islâmica e os ultraconservadores Salafitas, as duas forças político-religiosas com mais poder no Egito.
      Há uma década atrás, era raro ver-se uma mulher vestindo niqab no Egito, o vestido niqab estava restrito a uma pequena minoria. A maioria das mulhgeres usava um lenço que lhes cobria o cabelo, mas não a face. Atualmente, no entanto, tornou-se vulgar ver mulheres trajando o niqab, seja na rua, seja nas universidades, nos mais diversos empregos e mesmo montadas, atrás, mas motas dos maridos.
      Maria TV está no ar seis horas por dia na Ummah TV. A programação consiste essencialmente em dar conselhos práticos às mulheres para o seu dia-a-dia em relação à cega obediência aos seus maridos. As mulheres falam sobre os assuntos e defendem os seus pontos de vista, sem qualquer crítica.
      O diretor da estação, o filho do Abu Islam, referiu que sabe que “existem críticas e reações negativas, mas que também existem críticas e reações positivas, como em tudo, portanto, não interessa, nós seguiremos o nosso caminho”.
      A produtora executiva do canal, também filha do Abu Islam, diz que “Eu quero dar às crianças a possibilidade de verem estas mulheres e dizerem: Eu quero ser assim. Ou seja, criar uma nova geração que deseja isto e deseja ser como o que vê.”
      O sítio do canal na Internet está em: http://www.ummahchannel.tv/




quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A Conferência de Potsdam

      Foi num dia como o de hoje (2 de agosto) mas do ano de 1945 que terminava a Conferência de Potsdam, na qual os países vencedores da 2ª Grande Guerra (as principais potências: URSS, RU e EUA) decidiram o destino da Alemanha Nazi vencida.
      A conferência decorreu por mais de 15 dias, decidindo o destino e a administração da Alemanha que se havia rendido incondicionalmente cerca de 9 semanas antes, decidindo-se sobre inúmeros aspetos como a desmilitarização, a desnazificação, democratização, julgamento dos criminosos de guerra nazis, divisão da Alemanha e da Áustria, fixação de indemnizações de guerra, etc.
      Durante a Conferência, o presidente americano confidenciou ao presidente da União Soviética que detinha uma nova arma muito potente e ambos acordaram em apresentar ao Japão um ultimato para que se rendesse sob pena de uma “rápida e total destruição” mas sem mencionar a nova arma. O Japão recusou render-se. No dia 6 e 9 de Agosto, os EUA lançaram bombas atómicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Em face da destruição, o Japão rendeu-se de imediato.
      Em baixo está um cartaz da 2ª guerra relativo às nações aliadas contra os fascistas.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Grupo de Iniciativas Informativas Diárias

      Este artigo que lês está publicado numa das várias iniciativas informativas que compõem o Grupo Info-Dia, um grupo dedicado à informação alternativa, global, não massificada, gratuita e diária.
      Esta iniciativa divulgativa nasceu em Janeiro de 2007 (há 5 anos), inicialmente sob a forma de mensagens curtas (SMS) para um determinado grupo restrito de beneficiários, tendo, ao longo do tempo saltado para um blogue e outro e outro e mais outro, contando hoje com assíduas visitas diárias, em todas as plataformas, vindas de todo o planeta onde haja um falante de Língua Portuguesa, tendo ainda leitores assíduos de falantes da Língua Castelhana (Espanhol).
      Todos os dias são publicados novos artigos em mais do que um blogue e noutras plataformas, como redes sociais, de forma a alcançar um maior número de leitores e poder assim transmitir conhecimento que não está disponível nos normalizados e embrutecedores meios de comunicação social.
      Os artigos não são publicados de forma massiva, isto é, não são publicados em quantidade nem pretendem alcançar o grande público consumidor de estereótipos e estereóestúpidos.
      Todos os dias são selecionados os melhores acontecimentos, as notícias menos divulgadas, aqueles factos que deveras interessam e podem aportar algo mais ao nosso conhecimento geral do Mundo e de nós próprios, enquanto seres divinos que somos e todo-poderosos.
      O Mundo, a Vida e a Liberdade podem ser melhores do que isto. Esforça-te para o conseguires, cada segundo, cada vez que respires. Liberta-te a ti mesmo pelo conhecimento, não acreditando nas mentiras das religiões, dos poderes, dos Estados...
      A sabedoria é o único poder maior. Aprende, para saberes mais do que eles. O conhecimento é a tua arma de guerra mais poderosa e destruidora. Usa-a, ataca, mata, destrói.
      A seguir estão os endereços de todos os sítios do grupo até ao presente:

      1 – INFO-DIA:
      http://info-dia.blog.pt
      (informação diária diversificada no Blog.pt)

      2 – INFODIASMS:
      http://infodiasms.blogspot.com
      (informação diária diversificada no BlogSpot)

      3 – SABEMAIS:
      http://sabemais.wordpress.com
      (informação diária diversificada no Wordpress)

      4 – TWITTER:
      http://twitter.com/sabemais
      (informação diária breve no Twitter)

      5 – FACEBOOK:
      http://www.facebook.com [InfoDia Sms]
      (informação diária diversificada no Facebook)

      6 – ANARQUINFO: (este blogue)
      http://anarquinfo.blogspot.com
      (informação diária específica do mundo anarquista)

      7 – BLAVING (Voz):
      http://pt.blaving.com/infodia
      (a informação em voz para ouvir)

      8 – GOOGLE+:
      https://plus.google.com [Info Dia]
      (informação diária diversificada no Google+)

      9 – ORKUT:
      http://www.orkut.com [Info Dia]
      (informação diária diversificada no Orkut)

   10 – DIASPORA:
      http://diasp.eu [Info Dia]
      (rede social alternativa ao Facebook)
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    11 – SMS:
      (mensagens para os telefones dos operadores portugueses)
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terça-feira, 31 de julho de 2012

A Começar na Bolívia?

       Numa decisão inédita, o Governo da Bolívia anunciou que a “Coca-Cola” (refrigerante norte-americano) será expulsa da Bolívia no próximo dia 21 de dezembro de 2012.
      De acordo com o ministro do exterior da Bolívia, David Choquehuanca, esta determinação estará em sintonia com o fim do calendário Maia e será parte dos festejos para celebrar o fim do capitalismo e o começo da “cultura da vida”.
      A festa acontecerá no dia do solstício de verão (no hemisfério sul) na Ilha do Sol, situada no lago Titicaca.
      «21 de dezembro de 2012 é o fim do egoísmo e da divisão. 21 de dezembro tem que ser o fim da Coca-Cola e o começo do mocochinche (refresco de durazno)», disse o ministro Choquehuanca num ato junto ao mandatário Evo Morales. «Os planetas se alinharão depois de 26.000 anos... é o fim do capitalismo e o começo do comunitarismo», completou o ministro.
      Recorde-se que no final do ano passado, de forma igualmente inédita, a cadeia de restaurantes de comida rápida norte-americana “McDonald’s” abandonou a Bolívia por desinteresse do público, isto é, por não ter clientes.
      Após 14 anos do seu estabelecimento no país sul-americano, e apesar de tentar todas as campanhas publicitárias imagináveis, a cadeia viu-se obrigada a fechar os oito restaurantes que mantinha abertos nas três principais cidades do país: La Paz, Cochabamba e Santa Cruz de La Sierra.
      Este é o primeiro país do Mundo no qual a empresa fecha as portas por ter a sua contabilidade em vermelho durante mais de uma década.
      O impacto para os criativos chefes de “marketing”, que não acabam de superar a sua frustração, foi a força daqueles que gravaram um documentário intitulado: “Porque faliu a McDonald`s” no qual tentam explicar as razões que levaram os bolivianos a continuar preferir as empanadas aos hambúrgueres.
      O documentário inclui reportagens com cozinheiros, sociólogos, nutricionistas, educadores, historiadores e outros, que apresentam uma coincidência geral: o repúdio não é aos hambúrgueres nem ao seu gosto, o repúdio está na mentalidade dos bolivianos. Na Bolívia ainda se conserva o conceito da cultura gastronómica tradicional, na qual o rito da comida começa desde a decisão do que se vai comer, ir ao mercado comprar os ingredientes, conviver enquanto preparam os alimentos, a forma como o apresentam e a maneira como o servem. A comida para ser boa requer, além do gosto, esmero, higiene, e consciência que se adquire com muito tempo de prática na preparação. Assim é como avalia um consumidor a qualidade daquilo que coloca no estômago.
      No vídeo abaixo podes ver um extrato do documentário, quando ainda se encontrava em preparação.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O Alfaiate, o Cozinheiro e o Ferreiro

       Por esta altura (a 29 de julho) do ano de 1900, em Monza (Itália), o monarca italiano Umberto I é assassinado pelo alfaiate Gaetano Bresci com três tiros.
      Este ato foi um ato de justiça e de vingança contra o massacre de trabalhadores numa manifestação em Milão, dois anos antes, na qual centenas de trabalhadores famintos foram mortos.
      Pouco tempo antes numa atitude absurda o insolente rei Umberto havia condecorado o General Bava Beccaris, o responsável pela matança de Milão.
      Gaetano Bresci (1869-1901) era alfaiate de profissão e também jornalista e militante anarquista. Nascido em Itália e emigrado para os EUA, logo que lhe foi devolvido o dinheiro que emprestara para a constituição de um jornal, viajou para Itália com o propósito de matar o rei.
      Logo após os três tiros no peito, no meio da multidão, gritou: “Não matei Umberto, matei o Rei, matei um princípio”.
      Nota que este rei italiano, que a história oficial lhe atribuiu o cognome de “O Rei Bom”, já há alguns anos antes, cerca de 20, que se tentava eliminar. O primeiro ataque foi em 17 de novembro de 1878, aquando de um desfile em Nápoles, num carro aberto, foi atacado pelo anarquista Giovanni Passannante, cozinheiro de profissão. O rei repeliu o golpe com o seu sabre. O pretenso assassino foi condenado à morte, embora a lei só permitisse tal condenação em caso de morte do rei, então Umberto comutou a sentença em trabalhos forçados perpétuos, que Passannante cumpriu numa cela de apenas 1,4 metros de altura, sem saneamento e com 18 quilos de correntes no seu corpo. O anarquista viria a morrer numa instituição psiquiátrica uma década depois.
      Passannante tentara realizar o seu ato com uma pequena faca de aproximadamente oito centímetros, "boa apenas para fatiar maçãs" como disse em interrogatório o dono da loja onde o anarquista havia conseguido a faca em troca de um velho casaco.
      O segundo ataque, partiria de um outro anarquista, em 22 de abril de 1897: Pietro Acciarito, ferreiro de profissão que tenta apunhalar o rei. A sua ação não logra êxito e Acciarito recebe tratamento análogo ao despendido a Passannante acabando louco após cumprir parte de sua pena de prisão perpétua numa cela sepultura, menor que a sua estatura, abaixo do nível do mar, sem latrina e sem luz.
      Já agora convém registar que após a morte do primeiro anarquista, Passannante, lhe foi decepada a cabeça e o seu crânio e cérebro foram enviados para análises no Instituto Superior de Polícia, em Roma, com o objetivo de ser estudado na cadeira de Antropologia Criminal que sustentava que se poderiam identificar tendências subversivas ou criminais nas características físicas e biológicas dos indivíduos.
      De igual forma, os restos mortais de Pietro Acciarito foram submetidos a uma autópsia pelos mesmos eugenistas da escola lombrosiana que haviam examinado o corpo de Passannante, tendo concluído, através dos seus estudos, que a forma oval do crânio do ferreiro revelava uma "predisposição ao assassinato".
      Em 1936 o cérebro e o crânio de Giovanni Passannante foram mandados para o Museu Criminal onde acabaram em exposição juntos com alguns manuscritos de Passannante, como exemplo e testemunho daqueles estudos de Antropologia Criminal. A permanência dos restos na exposição museológica resultou numa série de protestos e manifestações. No dia 23 de Fevereiro de 1999 o ministro da Justiça italiano deliberou o traslado dos restos de Passannante de Roma para Sabóia de Lucania. No entanto, por morosidade institucional, a burocracia e a falta de vontade política, fez com que o traslado acontecesse apenas oito anos depois, em 2007.
      O sepultamento do crânio e cérebro de Giovanni Passannante estava previsto para o dia 11 de Maio de 2007 após uma cerimónia fúnebre que deveria durar 11 horas aproximadamente. O sepultamento, no entanto, aconteceu um dia antes do previamente estabelecido para evitar problemas de "ordem pública". Quase cem anos após a sua morte, até o sepultamento da cabeça gerou temor na “ordem pública”. 





domingo, 29 de julho de 2012

Descobrir

      «Descobrir consiste em ver o que toda a gente viu mas pensar o que ninguém pensou.»
      Albert Szent-Györgyi (1893-1986)
      Bioquímico natural da Hungria que se nacionalizou norte-americano, após fuga do regime Nazi. Foi laureado com o prémio Nobel da Medicina em 1937, pela descoberta da Vitamina C.
      Das suas diversas obras, para além das científicas, destaca-se a de cariz sociológico: “O Macaco Louco” (The Crazy Ape) de 1970, na qual o autor procura responder à seguinte questão: Por que razão se comporta o ser humano como um perfeito idiota?

sábado, 28 de julho de 2012

No Border Camp 2012


      Cerca de mil pessoas de toda a Alemanha e de todo mundo concentraram-se em Colónia, na Alemanha, para 10 dias de encontro e de ação por um Mundo sem fronteiras e sem racismo.
      Para o encontro, que terminou no último fim de semana (22 de Julho), foram mobilizados cerca de cinco mil polícias, isto é, cinco polícias para cada ativista. O aparato policial não desmotivou os participantes nem travou a onda de ações que varreu a área.
      Na quarta-feira pela manhã, o consulado de Itália em Dusseldorf foi ocupado em protesto contra a iminente deportação de Inglaterra para Itália de Tarik Rahma, um homem sudanês em greve de fome há dois meses (a atual legislação europeia obriga os países a deportar as pessoas para o país onde entraram na Europa).
      Na quinta-feira vários ativistas ocuparam o consulado francês em Dusseldorf para exigir justiça para Noureddin, um homem sudanês encontrado morto num canal em Calais a 7 de Julho. Os ativistas acabaram por ser retirados à força e detidos pela polícia. O samba dos ritmos de resistência e os gritos de vários ativistas em solidariedade cortaram a rua durante toda a tarde.
      Ao mesmo tempo, ativistas ocupavam a sede do partido “die Grüine” para chamar a atenção para os grupos de refugiados afegãos e iranianos em greve de fome em três cidade alemãs, sob repressão policial, numa das várias ações de solidariedade durante o acampamento.
      O acampamento acabou com uma manifestação que juntou mil pessoas no aeroporto de Dusseldorf; aeroporto que se tornou num ponto de concentração para expulsar milhares de imigrantes, sobretudo ciganos, de toda a Europa para países como a Macedónia, Sérvia, Kosovo ou Nigéria, ao abrigo do racismo e militarismo da agência europeia Frontex.
      Centenas de vozes encheram o aeroporto: “No Borders, No nations, stop deportations”, “We are here and we will fight – freedom of movement is everybody’s right.”, “Unemployment and inflation are not caused by immigration. Bullshit, get off it, the enemy is profit”.
      O No Border Camp em Colónia teve lugar um mês depois de um outro No Border, em Estocolmo, que reuniu igualmente mil pessoas. Pedradas que quebram o silêncio em que os crimes da Europa-fortaleza são, dia após dia, cometidos. Momentos de encontro e partilha entre imigrantes, refugiados e todas as que lutam por um mundo sem fronteiras nem racismo.
      Um acampamento organizado horizontalmente, sem hierarquias, mas em que muito tempo e energia acabaram por ser usados em discussões e conflitos internos.
      Dez dias à beira do Reno para refletir e agir, para criar e fortalecer laços e ideais, despertar solidariedades e experimentar a vida coletiva livre do capitalismo, da autoridade e da descriminação.
      Mais info em:

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Jornal Socialismo Libertário


      Acaba de sair a 28ª edição (de julho) do Jornal Socialismo Libertário, órgão da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB).
      Esta edição traz o Programa Mínimo da CAB, aprovado no seu recente Congresso realizado este mês de julho no Rio de Janeiro. Este Programa apresenta os elementos
reivindicativos em torno dos quais se pretende uma atuação no presente, de maneira a permitir um avanço rumo ao projeto revolucionário.
      Esta nova edição pode ser vista e/ou baixada (em pdf) no seguinte endereço:

quinta-feira, 26 de julho de 2012

1000 Artigos Publicados


      Este blogue “Anarquinfo”, do grupo informativo “InfoDia/SabeMais/Anarquinfo”, em http://anarquinfo.blogspot.com publica hoje o seu artigo número 1000.
      Como a cada artigo corresponde um dia, este blogue tem assim 1000 dias de existência e publicações, desde quando começou em novembro de 2009, há quase três anos.
      Já agora, nota que este blogue especializado é o mais recente do grupo, pois todos os outros são mais antigos, tendo-se iniciado, ou melhor, ampliado, as publicações à Internet desde janeiro de 2007.
      Todos os dias estes blogues publicam artigos de diferente opinião, não massificada, e, muitas vezes, uma informação de difícil acesso.
      O Mundo, a Vida e a Liberdade podem ser melhores do que isto. Esforça-te para o conseguires, cada segundo, cada vez que respires.
      Liberta-te a ti mesmo pelo conhecimento, não acreditando nas mentiras das religiões, dos poderes, dos Estados...
      A sabedoria é o único poder maior. Aprende, para saberes mais do que eles.
      O conhecimento é a tua arma de guerra mais poderosa e destruidora. Usa-a, ataca, mata, destrói.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O Rápido Degelo da Gronelândia

      O maior degelo da Gronelândia (Dinamarca) de que há registo acaba de acontecer e foi verificado por satélite.
      A calote de gelo da Gronelândia derreteu quase por completo em apenas quatro dias. As imagens de satélite mostram que, entre 8 e 12 de julho, desapareceu 97% do gelo que cobria a superfície do território.
      Os cientistas da NASA (EUA) julgaram inicialmente existir algum erro, confrontados com o degelo mais vasto de que há registo nos 30 anos de observações de satélite da ilha, mas depois confirmaram os dados.
      Durante o Verão é habitual derreter cerca de metade do gelo da Gronelândia, mas a situação detetada agora é considerada bastante invulgar.
      Os cientistas alertam para as previsíveis consequências à escala planetária, desde logo no aumento do nível da água do mar, que costuma ser de três milímetros por ano. Lora Koenig, especialista em glaciares no centro Goddard da NASA, diz que os degelos assim rápidos acontecem todos os 150 anos e avisa que o deste ano pode ter vastas implicações. Já o climatólogo Thomas Mote, da Universidade da Geórgia, admite que este degelo extremo pode dever-se a uma cúpula de calor que cobriu a Gronelândia entre 8 e 16 de julho ou a uma vaga de ar quente particularmente forte.