Mostrar mensagens com a etiqueta Resistência. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Resistência. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Inversões e Perversões

      «Hoje, o cidadão europeu vive refém (mas não está sozinho nessa condição) de uma quase-Idade Média: pairam sobre ele as trevas densas de um futuro incerto ao mesmo tempo que aceita passivo a imposição de uma escolástica arquitetada por governantes medíocres e coadjuvada por um séquito de académicos e de “opinion makers” adestrados, unidos no esforço conjunto de legitimação de um novo paradigma de governação: a Governação Reativa.
      A escolástica desta governação reativa é perigosa, na exata medida em que consegue conciliar a tacanhez das respostas governativas com a magnitude do futuro que nos espera, através do argumento falacioso de que é esse tipo de governação que pode antecipar e prevenir os males do futuro. Desta perversa dialéctica, resulta o estranho feito daquilo que é tacanho e reativo surgir afinal como arauto de visão.
      Do mesmo modo, quem ousa contestar, surge agora como egoísta (anti-patriótico, incapaz de solidariedade geracional; anti-europeu, anti-comunidade, enfim), inculto (desconhecedor da nova linguagem aristotélica de descodificação do universo: a economia) e, pasme-se, retrógrado (agarrado a ideários do passado de uma esquerda social ruinosa).
      A greve, por exemplo, direito político tradutor da democratização da própria democracia pela sua abertura à voz dos trabalhadores, emerge hoje aos olhos do cidadão incauto mas que se esforça por parecer sério, já não como símbolo de progresso democrático, mas como a última arma de velhos do Restelo agarrados ao seu “status” de conforto. De repente, fazer greve é uma vergonha, é coisa de pseudo-indignados com contas pagas pelos pais, de gente instrumentalizada por sindicatos e partidos de esquerda radical.
      O que outrora era ativo, tornou-se reativo neste discurso político de inversões e perversões da linguagem democrática. Na mesma linha, também a legitimidade da ação pública já não deriva do político mas do económico, ou seja, já não emana da vontade expressa dos cidadãos, mas de opiniões especulativas e subjectivas dos agentes de mercado. Veja-se o caso de Espanha: a legitimidade do governo de Mariano Rajoy está como que em suspenso, esperando a chancela, o aval final, dos mercados. A vontade popular está assim reduzida ao estatuto da menoridade.
      Igualmente, o debate, exercício nobre da vivência democrática, surge transfigurado, ora confundindo-se com o simples somatório de múltiplas opiniões individuais de “opinion-makers” que se replicam e repetem até à náusea nos media, ora confundindo-se com a ideia da discussão destrutiva, geradora apenas de impasses bloqueadores do suposto caminho certo a ser ordeiramente percorrido.
      Também os direitos sociais acusam o peso desta inversão da linguagem democrática. De árduas conquistas de gerações e gerações de cidadãos, aparecem como que a alcova de todas as preguiças, de todas as mordomias impunes de um funcionalismo público que, para todos os efeitos, passa a ser sinónimo apenas de ineficiência, incompetência e inutilidade.
      Eis-nos assim chegados ao estádio supremo do triunfo do poder suave do capitalismo. De facto, António Gramsci poderia hoje ver como estamos coletivamente empenhados na salvação do capitalismo por não sabermos já viver sem o conforto e bem-estar que este também nos proporciona. Lutamos assim pela manutenção do seu lado encantador, nem que isso implique acomodar-nos a uma nova linguagem do Político que em última instância põe em causa a própria democracia, e mesmo que em resultado apenas tenhamos, irónica e ingloriamente, o esvaziamento irremediável dos direitos que o capitalismo possibilitou por via das políticas sociais do Estado.
      Esta reflexão não se aplica a quem faz hoje greve no nosso País, mas precisamente a todos quantos em Portugal e na Europa insistem neste discurso deslegitimador das formas de luta tradicionais, e que do alto da sua suposta maturidade cívica e até intelectual, exasperam perante facto de as suas certezas sobre o nosso caminho não serem afinal unânimes evidências.»
      Acabas de ler a transcrição integral do artigo de opinião publicado ontem, dia 24-11-2011, dia de Greve Geral em Portugal, no jornal português com sede na cidade de Braga “O Correio do Minho”, com o título de “Inversões e perversões na nova linguagem do Político”, subscrito por Isabel Estrada Carvalhais, Professora de Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade do Minho, da mesma citada cidade.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

13 Perguntas Frequentes Sobre Greve

      Está marcada para amanhã, dia 24 de novembro (quinta-feira), uma Greve Geral em Portugal, pelo que, de forma a esclarecer eventuais dúvidas dos trabalhadores portugueses, a seguir se respondem às 13 perguntas mais frequentes sobre esta greve.
      1 – Quem pode aderir à Greve Geral?
      Todos os trabalhadores, sindicalizados ou não, membros ou não dos sindicatos que declaram greve, podem aderir à greve geral. O pré-aviso de Greve Geral abrange todos os trabalhadores do país.
      2 – Os que trabalham no setor privado, também podem fazer Greve?
      Todos os trabalhadores, independentemente da relação de emprego que tenham (Regime do Contrato de Trabalho em Funções Públicas, CAP, Contrato a Termo, Contrato Sem Termo/Tempo Indeterminado), seja numa instituição pública ou numa empresa privada, podem aderir à Greve Geral.
      3 – Os não sindicalizados também podem fazer greve?
      Podem pois. O direito à greve é um direito de todos os trabalhadores, sindicalizados ou não. Os trabalhadores não sindicalizados estão legalmente protegidos para fazer greve, com a única diferença de não estarem integrados numa organização sindical.
      4 – O trabalhador com um contrato a termo (vínculo precário), também pode fazer greve? Podem cessar-lhe o contrato?
      Pode fazer greve e, legalmente, o contrato não pode ser cessado em virtude disso. “É nulo e de nenhum efeito todo o ato que implique coação, prejuízo ou discriminação sobre qualquer trabalhador por motivo de adesão ou não à greve” (artº. 404º/RCTFP).
      5 – A pressão para não se aderir à Greve é legal?
      Nos termos do artº 404º/RCTFP, tal não é permitido. Mais, quem exerce a pressão/coação é suscetível de ser punido: constitui contra-ordenação muito grave o ato do empregador que implique coação do trabalhador no sentido de não aderir a greve, ou que o prejudique ou discrimine por aderir (artº. 540.º/CT).
      6 – Antes da greve, está o trabalhador obrigado a informar se adere ou não?
      Em termos legais, nenhum trabalhador está obrigado a informar previamente a sua decisão de aderir ou não à Greve.
      7 – Está o trabalhador legalmente obrigado a comparecer no seu serviço?
      Nos serviços sem obrigatoriedade de prestação de serviços/cuidados mínimos, nos termos do pré-aviso, o trabalhador não está legalmente obrigado a comparecer. Nos serviços onde têm que ser garantidos serviços/cuidados mínimos deve comparecer para os prestar (se for o caso) ou integrar o piquete de greve.
      8 – O que é o Pré-Aviso de Greve?
      Nos termos da Constituição e da Lei (artº. 396º/RCTFP) os sindicatos são obrigados a emitir Pré-Aviso de Greve, publicitado num órgão de comunicação social de expansão nacional. Este Pré-Aviso visa no essencial duas coisas: que as partes em conflito tentem ainda acordar soluções antes de efectivar a Greve; que os Serviços alvo da Greve se reorganizem (com as limitações decorrentes da Lei) para minimizar o impacto junto dos seus destinatários.
      9 – O que faz e quem constitui o Piquete de Greve?
      Piquete de Greve é constituído por todos os grevistas. O Piquete é constituído pelos grevistas que permanecem nos serviços a assegurar cuidados mínimos, pelos grevistas sediados na sala do piquete e pelos grevistas ausentes da entidade.
      O piquete visa, para além do levantamento rigoroso dos dados (escalados/aderentes), informar e esclarecer os grevistas sobre os motivos da greve e mesmo os não grevistas no sentido de aderirem à greve. Intervém junto das administrações para resolver problemas e presta informação e esclarecimento aos utentes através de ações planeadas para esse efeito.
      10 – Enquanto grevista, qual a subordinação hierárquica?
      Os grevistas estão desvinculados dos deveres de subordinação e assiduidade durante o período de Greve. A representação dos trabalhadores em greve é delegada, aos diversos níveis, nas associações sindicais, nas comissões sindicais e intersindicais, nos delegados sindicais e nos piquetes de greve.
      “A greve suspende, no que respeita aos trabalhadores que a ela aderirem, as relações emergentes do contrato, […] em consequência, desvincula-os dos deveres de subordinação e assiduidade” (artº. 398º/RCTFP) e os trabalhadores em greve são representados pelo Sindicato (artº. 394º/RCTFP).
      11 – A Administração pode substituir os grevistas?
      Não pode. “A entidade empregadora pública não pode, durante a greve, substituir os grevistas por pessoas que à data do aviso prévio não trabalhavam no respectivo órgão ou serviço, nem pode, desde aquela data, admitir novos trabalhadores para aquele efeito.” “A concreta tarefa desempenhada pelo trabalhador em greve não pode, durante esse período, ser realizada por empresa especialmente contratada para o efeito…” (artº. 397º/RCTFP).
      12 – Durante a Greve a Administração pode colher dados pessoais dos aderentes?
      Não pode. A Comissão Nacional de Proteção de Dados deliberou proibir, ao abrigo da alínea b) do nº. 3 do artº. 22º da Lei 67/98, qualquer tratamento autónomo de dados – recolha de tipo de vínculo/nome/n.º mecanográfico/outros dados similares – relativos aos aderentes à greve por constituir violação do disposto no art.º 13º e n.º 3 do 35º da CRP e nos n.ºs 1 e 2 do art.º 7º da Lei de Protecção de Dados Pessoais (Deliberação n.º 225/2007 de 28 de Maio).
      13 – Trabalhadores em Greve “rendem” trabalhadores não aderentes?
      Trabalhadores grevistas não rendem trabalhadores não grevistas. Os grevistas não têm o dever legal de render os não aderentes à greve.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Occupy Wall Street

      Na noite de ontem (17NOV) milhares de pessoas participaram numa manifestação de ocupação da ponte de Brooklyn (Nova Iorque) que marcou o segundo mês de existência do movimento "Ocupar Wall Street".
      Durante a tarde, os ativistas tentaram bloquear o acesso à Bolsa de Nova Iorque, impedindo o seu funcionamento. A polícia prendeu cerca de 250 manifestantes para evitar a ação e permitir pelo menos a passagem dos funcionários. Pelo menos 7 polícias ficaram feridos. O chefe da polícia de Nova Iorque informou que 5 agentes foram atingidos com "um líquido na cara", e que outro teve de ser cosido numa mão devido a um corte provocado por uma garrafa partida.
      A jornada de protestos contra a ganância do sistema financeiro foi marcada também por manifestações em cidades como Los Angeles, Las Vegas, Boston, Washington, Dallas, e Portland.
      Na última terça-feira (15NOV), uma ação policial retirou à força manifestantes que estavam acampados há dois meses no Parque Zuccotti, também em Nova Iorque, após uma ordem do presidente da câmara, Michael Bloomberg, que alegou razões sanitárias e de segurança.
      «Somos indestrutíveis, um mundo diferente é possível.» Assim, cantava a multidão sobre a ponte, uma das construções mais emblemáticas de Nova Iorque, enquanto os motoristas buzinavam para mostrar apoio.
      «Isto tem a ver com justiça económica e social e não nos podem tirar isso com 400 polícias de choque.» Assim o afirmava Andy, um jovem estudante acabado de sair da cadeia, antes do início da marcha sobre a ponte.
      Um ponto alto do protesto ocorreu quando a manifestação atingiu o meio da ponte, na altura do arranha-céus da Verizon, considerado o edifício mais feio da cidade. Nessa altura, começou uma projeção gigante sobre as paredes do prédio onde se podia ler: “Somos os 99%”, “Ocupar Wall Street”, “Ninguém nos consegue parar”, “Outro mundo é possível”. Vê estas imagens no vídeo abaixo.
      Na próxima segunda-feira (21NOV), o movimento anuncia oficialmente uma iniciativa de recolha de um milhão de assinaturas de estudantes dispostos a não pagar os empréstimos universitários até que se façam reformas no sistema financeiro. A dívida média de um estudante que se licencia em Nova Iorque é de 25 mil dólares.



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Um Golpe Militar

      Otelo Saraiva de Carvalho, um dos capitães do golpe militar que derrubou a ditadura em Abril de 1974, afirma, a propósito da manifestação que os militares pretendem levar a cabo, que "Para mim, a manifestação dos militares deve ser, ultrapassados os limites, fazer uma operação militar e derrubar o Governo. Não gosto de militares fardados a manifestarem-se na rua. Os militares têm um poder e uma força e não é em manifestações coletivas que devem pedir e exigir coisas."
      Disse ainda que hoje, Portugal está "a atingir o limite" e que acredita que há condições para os militares tomarem o poder, afirmando que "bastam 800 homens".
      Em comparação com o golpe de 1974, do qual se afirma ser um "orgulhoso protagonista", Otelo considera que um próximo golpe militar seria até mais fácil, pois hoje "há menos quartéis, logo menos hipóteses de existirem inimigos" da revolução.
      Questionado sobre a real possibilidade dos militares tomarem o poder, como há 37 anos, Otelo responde perentório: "Não tenho dúvida nenhuma que sim. Os militares têm sempre essa capacidade, porque têm armas. É o último bastião do poder instituído."
      O estratega do golpe do 25 de Abril fez ainda uma análise crítica dos últimos 37 anos: "Se eu adivinhasse que o país ia gerar uma classe política igual à que está no poder, e que está a passar a certidão de óbito ao 25 de Abril, eu não teria assumido a responsabilidade de dar essa alvorada de esperança ao povo".
      "Estabelecemos com o povo português um compromisso muito forte que era o de criar condições para um acesso a nível cultural, social e económico de um povo que tinha vivido 48 anos debaixo de ditadura. Assumimos esse compromisso, não o cumprimos e não o estamos a cumprir porque entregámos o poder a uma classe política que, desde o 25 de Abril, tem vindo a piorar", afirmou, considerando mesmo que, à medida que o tempo corre, tem-se registado "um retrocesso enorme".
      "Gozamos da liberdade de reunião, de manifestação e de expressão, mas começa a haver um caminho para trás", acrescentou.
      "A classe política, sobretudo o que podemos abstratamente chamar de direita, está a retomar subtilmente tudo aquilo que eram as suas prerrogativas antes do 25 de Abril e a passar a certidão de óbito à revolução”.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Resistência à PM na USP

      Na semana passada (no dia 27 de outubro) cerca de 500 estudantes enfrentaram a Polícia Militar brasileira barrando-lhes a entrada na Universidade de São Paulo.
      A seguir está o relato dos acontecimentos:
      «A PM abordou três estudantes na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) e agiu de forma truculenta, acusando-os de consumo de maconha. A ação foi o estopim para a mobilização de 500 estudantes para barrar a militarização da USP e combater a gestão duvidosa do reitor João Grandino Rodas, investigado por corrupção pelo Ministério Público.
      Diante da tentativa da PM em prender os três estudantes outros foram se aproximando para impedir a ação e a polícia foi chamando reforços: chegaram pelo menos 15 viaturas e centenas de estudantes e professores. Durante 3 horas de tensão crescente a polícia fez ameaças e ofensas verbais, até que finalmente atacou com gás lacrimogéneo, spray de pimenta, bala de borracha e cassetete, num confronto que durou meia hora.
      O Prof. Lincoln Secco afirma que viu os estudantes "empunhando livros contra policiais atónitos". Em seguida, 500 estudantes decidiram em assembleia ocupar a administração da FFLCH até que o reitor João Grandino Rodas rompa o convénio que assinou vinculando a USP à PM e cesse o processo de militarização da universidade.
      Em entrevista ao blogue do Sakamoto, manifestantes afirmam que "historicamente, o movimento social organizado na USP obteve a conquista da autonomia universitária. Isto significa afirmar uma conceção de universidade como espaço de livre pensamento, organização e manifestação. A autonomia também se refere à segurança. Por isso, temos na USP a Guarda Universitária. A presença de forças militares no campus não apenas em história longínqua, como também em anos recentes, não esteve relacionada à garantia de segurança e ao combate do crime, mas sim à repressão política ao movimento social da Universidade. Em 2009, por exemplo, a Polícia Militar transformou o campus do Butantã numa praça de batalha ao reprimir um movimento grevista.»
      Mais info no blogue da ocupação:
      http://ocupauspcontrarepressao.blogspot.com/
      Vê abaixo o vídeo do acontecimento e, no final, vê os vídeos relacionados.


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Unaustralians

      No passado dia 19 de outubro um grupo atacou e destruiu o gabinete da Ministra de Assuntos Indígenas de Austrália, em Melbourne, com o lançamento de bombas de tinta.

      Aquele coletivo veio a público com o comunicado que a seguir se reproduz e cujo conteúdo é do interesse geral, muito para além do interesse particular concreto dos povos indígenas.
      «Atacamos o gabinete de Jenny Macklin, membro do Partido Trabalhista Australiano e Ministra de Assuntos Indígenas. Fizemos isso porque o governo australiano é um governo de ocupação e colonização contínua dos povos indígenas deste país. As nossas ações são ações de solidariedade com os povos indígenas que foram invadidos, cujas terras foram roubadas, que foram expulsos à força das suas terras, das suas famílias, cujas culturas e línguas sofreram danos irreversíveis e ainda estão sofrendo as contínuas ondas de ataques por parte do nosso governo colonial, neste mesmo gabinete de Assuntos Indígenas.
      Também realizamos este ataque porque, como cidadãos não-indígenas deste país, nos colocamos numa situação em que beneficiamos materialmente a colonização dos povos indígenas. Aprendemos a negar a realidade das origens da nossa riqueza material, como o “país afortunado”. O mito da sorte oculta a realidade da guerra e de ocupação, com base nas nossas vidas. Nascemos numa sociedade que nos diz que esta atividade colonial é uma coisa boa, que é “para nós”, que é “para eles”. Que a cultura materialista e capitalista é “boa” e “benéfica”.
      Aprendemos que todos merecem o “grande sonho australiano”, construído sobre as ruínas da guerra colonial. Mas o sonho é um mito. Agimos porque queremos romper a monotonia da sua existência. Não acreditamos que a comodidade material é a única qualidade que faz a vida “boa”. Agimos porque não acreditamos na superioridade cultural do capitalismo e rejeitamos a lógica missionária de assimilação dos povos indígenas para lhes dar uma vida “melhor”. Não acreditamos que uma vida baseada exclusivamente no consumo, vazia de verdadeira emoção, de comunidade, de individualidade e de alegria é a “melhor” forma de vida. Esta sociedade é tediosa, é vazia e insatisfatória. Está construída sobre uma rede de mentiras, dor e sofrimento, perseguida por memórias quase apagadas de formas de vida que perdemos.
      Rejeitamos essa cultura de negação. Rejeitamos esta sociedade que nos diz que devemos aceitar o papel que nos foi dado, seja de “oprimidos” ou “opressores”, “colonizados” ou “colonizadores”. Estamos contra a colonização. Estamos contra a assimilação do mundo na cultura capitalista da supremacia branca.
      Todo o mundo está resistindo a este sistema, todos os dias e em muitas formas diferentes, desde os aparentemente insignificantes, como cada vez que alguém rouba algo da loja “Woolworths”, sempre que não compra um bilhete no comboio, cada vez que desliga a televisão porque está farto de tanta merda sem sentido, até às greves comunitárias e lutas urbanas. Esta é uma forma que optamos não apenas para resistir, mas para intensificar a nossa resistência e as nossas vidas. Através desta ação estamos recuperando a nossa dignidade e declaramos que nos recusamos a ser cidadãos “obedientes” da Austrália colonial.»
      O comunicado está assinado pelos “Unaustralians”.


sábado, 29 de outubro de 2011

Rádio Libertaire

      Este fim de semana, a “Rádio Libertaire”, com sede em Paris, celebra o seu 30º aniversário de fundação.

      A celebração contará com uma jornada-festa anarquista no espaço Olympe de Gouges.
      Três décadas de esperanças libertárias, autogestão, federalismo, criatividade e liberdade de expressão; de voz poderosa e rebelde; divulgando lutas, pensamentos e música de todos os cantos e estilos, exceto música militar e música religiosa.
      Mesmo não estando em Paris, poderás ouvir todo o evento e mesmo participar nos debates sobre anarquismo e lutas sociais, sintonizando a rádio na Internet (segue a ligação permanente na coluna dos “Sítios a Visitar”).
      A “Rádio Libertaire” foi criada em 1981, durante um Congresso da Federação Anarquista (FA) francófona, que decidiu criar uma rádio livre em Paris. Antes da primeira transmissão em setembro de 1981, os anarquistas já tinham participado noutras experiências radiofónicas por toda a França, numa época em que o Estado tinha o monopólio das emissões. Anteriormente houve um movimento onde centenas de rádios piratas transmitiam para contestar este monopólio. Com a liberalização da radiodifusão, muitas rádios foram criadas, entre elas a Rádio Libertaire.
      «No início não tínhamos um projeto muito elaborado. A ideia era dotar-se de um instrumento de comunicação. Afinamos o projeto já com a rádio em funcionamento. Transmitíamos apenas algumas horas por dia e alguns dias da semana. Devagar a equipa foi-se reforçando. A aparelhagem de som que dispúnhamos, por exemplo, não era melhor do que uma destas que temos em casa. Pouco a pouco as exigências aumentaram e melhoramos o conteúdo e a forma das emissões. A princípio as instalações da rádio ficavam num cave, hoje fica no primeiro andar de um prédio em Paris.
      Atualmente a rádio tem mais de 80 animadores e técnicos. A programação é ampla, abarcando programas sobre música diversa, como hip hop, soul, funk, música experimental, música francesa, música do mundo, etc., e diversos assuntos como cultura africana, imigração, literatura, América Latina, sexualidade, esperanto, anarco-culinária, anarquismo, sindicalismo, feminismo, etc.
      A rádio transmite agora todos os dias, estando 24 horas no ar. Todos os programas têm total autonomia de organização técnica e de conteúdo. Existem quatro postos chaves na rádio: o do programador, o da tesouraria, da técnica e de relações públicas. O papel do coordenador é dialogar com as equipas em caso de problemas e fazer o necessário para que novas iniciativas de emissão se concretizem.
      Na rádio não se paga a ninguém para trabalhar, todos são voluntários e o dinheiro advém da generosidade dos ouvintes e de um fundo que atribui um subsídio anual vindo das rádios comerciais, de uma pequena parte da receita publicitária dessas rádios.
      Devido à falta de dinheiro, não é possível medir a audiência mas há noção da audição por muita gente, pelas cartas e telefonemas que recebidos.
      A rádio só atinge a região de Paris, porque a permissão “pública” não autoriza a emissão para outros lugares. A potência da rádio é de 4K.
      Hoje a Rádio Libertaire está legalizada. Mas em 1983 fomos proibidos de ir para o ar, pois não tínhamos autorização. Foi uma luta de vários meses para poder voltar. Houve mesmo uma manifestação em Paris com mais de 5.000 pessoas.
      Mais info na ligação permanente à rádio na coluna dos Sítios a Visitar, com o seguinte endereço: http://rl.federation-anarchiste.org/

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Debate Indígena

      Vê a reportagem – no vídeo abaixo – realizada há dias sobre o debate indígena com a presença de indígenas de diferentes tribos do Brasil.

      O debate foi organizado pelo Tribunal Popular e pela APROPUC – Associação dos professores da PUC-SP, com o seguinte tema: “Diante a demora do Estado de fazer demarcação; o jeito indígena de reconquistar suas terras”.
      Este foi mais um ato levado a acabo por parte das tribos indígenas em prol da luta pelos seus direitos, ainda não respeitados, no Brasil.
      Apesar das histórias relacionadas com a opressão do capital sobre os povos e culturas e mesmo apesar de tanta perseguição ao índio, estes estão ainda de cabeça erguida, lutando sempre.


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Uma Boa Notícia

      A morte de um ditador é sempre motivo de alegria.
      A confirmação da morte de Muammar Kadhafi hoje parece constituir um virar de página histórico para, não só para a Líbia, como, com certeza, para a região.
      Recordemos que esta morte advém da revolta iniciada no passado mês de fevereiro, de forma tímida, com alguns protestos na rua que evoluiu lentamente para uma revolta à escala nacional. Os rebeldes organizaram-se com um Conselho Nacional de Transição (CNT), ao qual Kadhafi respondeu nas ruas, brutalmente, com militares e poder de fogo. Em março, a comunidade internacional acordou e, sob a batuta da OTAN (NATO), começou a ajudar as forças rebeldes e a bombardear as forças do regime.

      Entre avanços e recuos na guerra civil, os rebeldes acabariam por ganhar ascendente. Chegam a Tripoli, capital do país, em agosto, e celebram a conquista da cidade na fortaleza que outrora servira de base para Kadhafi. Os rebeldes controlavam já quase toda a Líbia, mas faltava o ditador. Rumores apontavam que estaria no deserto a sul do país, protegido por Tuaregues, mas hoje as notícias da captura e morte saíram disparadas para o mundo.
      Kadhafi governou o país de forma muito dura e extravagante durante 42 anos.

      Agora devemos interrogar-nos sobre o efeito contaminador que a morte deste ditador poderá ter para os demais países ainda com filhos da puta deste género a tolher o povo.
      A queda dos regimes autoritários da Tunísia, em janeiro, e do Egito, em fevereiro, mostraram ao mundo os protestos de dois povos árabes e a sua influência na queda dos ditadores que governavam nos seus países. As revoluções uniram-se na denominação de “Primavera Árabe”, que rapidamente se transformou em movimento de revolta.
      Agora a atenção mediática internacional deverá voltar-se para a Síria e para o Iémen, já em ebulição.
      A Líbia foi a primeira nação do Médio Oriente a incendiar as ruas com protestos, e a primeira a pôr fim à sua ditadura. Sendo muito cedo para avançar com um efeito dominó espoletado pela queda do ditador, não será exagerado dizer que as tensões poderão aumentar tanto na Síria como no Iémen, nações que acompanharam a Líbia na revolta contra os seus ditadores.
      Para além destes dois casos com maior relevância, não podemos esquecer também os protestos e tensões no reino do Bahrain que, embora em menor escala, encontram-se igualmente latentes.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A Ocupação das Ruas

      As manifestações nas ruas nos cerca de 80 países deste fim de semana tiveram, finalmente, eco nas Nações Unidas (ONU), tendo o seu secretário-geral Ban Ki-Moon, vindo a público demonstrar a sua compreensão pelos protestos, posição aliás comum a todos os políticos dos diversos países, isto é, todos têm uma grande compreensão, mais nada.
      As declarações de Ban Ki-Moon, por ser o representante daquela organização mundial, revelam-se, no entanto, de maior destaque mediático, principalmente ainda pelo facto de terem sido proferidas antes de um encontro (na Suíça), entre ele (secretário-geral da ONU) e o grupo dos países do G20.
      Disse: «As frustrações que a crise financeira está a causar (…) É isso que estamos a ver um pouco por todo o mundo, começando em Wall Street, as pessoas estão a mostrar as suas frustrações, e em todo o mundo estão a enviar uma mensagem clara e inequívoca».
      O movimento dos “Indignados” está já globalizado e os protestos que se erguem em uníssono, por todas as principais capitais europeias e mundiais, onde milhares protestam a nível global, pese embora o seu caráter pacífico e sem obtenção imediata de qualquer alteração no estado das coisas, se persistir no tempo e na intensidade, poderá transformar-se e vir a obter alguma alteração.
      Neste fim de semana, verificamos como todas as manifestações foram pacíficas com exceção das notícias vindas de Roma (Itália) que referem cerca de dois milhões de euros de prejuízos, advindos das manifestações que o grupo “Black Block”, em separado levou a cabo, atacando alguns dos pilares representativos da sociedade capitalista, como incendiando viaturas de alta gama, pilhando lojas de luxo, etc., tendo constituído a faceta mais ativa e, bem assim, destruidora, dos protestos globais do último sábado.
      Esta forma de atuação de Roma tenderá a alastrar-se cada vez mais aos outros países/cidades, principalmente após a constatação da inação dos governos e da necessidade objetiva que existe de fazê-los cair, substituindo o sistema por outro, uma vez que as manifestações, apesar de muito bonitas, bem intencionadas e contendo cartazes muito imaginativos, não levam a lado nenhum.

sábado, 8 de outubro de 2011

A Ocupação de wall Street

      Os protestos em Wall Street (EUA) acabam de ganhar uma nova e maior dimensão, após 3 semanas, devido a uma súbita atenção mediática que despertou o interesse do público sobre este movimento que se auto-denomina “Ocupar Wall Street”.
      Diariamente, no centro de Nova Iorque, os manifestantes ocupam Wall Street, cada vez com maior adesão popular e de diversas organizações. A faísca que engrandeceu o movimento surgiu após a detenção pela polícia no passado fim-de-semana de 700 manifestantes que participaram no bloqueio da ponte de Brooklyn, lançando o movimento para um novo patamar.
      Das poucas dúzias de indivíduos que iniciaram os protestos em 17 de setembro passado, são agora milhares de indivíduos que enchem Wall Street. Nos últimos dias, com o avolumar da mancha humana, surgiram adesões de diversos movimentos e organizações, como o sindicato Amalgamated Transit Union, cujo presidente, Larry Hanley, em entrevista à CNN, dizia: «os jovens de Wall Street estão a dar voz a muitos problemas da classe trabalhadora dos EUA».
      O próprio presidente norteamericano, Barack Obama, veio a público reconhecer o teor representativo dos protestos. Confessando, em discurso na Casa Branca, que os manifestantes em Wall Street espelham «as frustrações do povo norte-americano».
      Outro presidente de uma união sindical, Michael Mulgrew, foi mais além na génese dos protestos, que justifica ao apontar que os EUA «estão de pernas para o ar», e que os manifestantes «estão a lutar pelos seus filhos e famílias».
      Sempre associados aos protestos estão as cargas policiais que também têm aumentado, tendo, no entanto, efeito contrário ao pretendido, pois em vez de refrear os manifestantes, a polícia só tem conseguido aumentar o número de manifestantes e adesões, como por exemplo a que houve também motivada pelo vídeo onde se mostra um polícia a pulverizar com spray pimenta um grupo de mulheres que participava nos protestos. O vídeo ganhou contornos virais e circulou pelas redes sociais, aumentando a indignação e ajudando ao aumento dos números de adesão ao movimento «Ocupar Wall Street».

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Povo Pataxó Hã-Hã-Hãe

      Hoje (27 de setembro) pelas 16:00 horas locais, em Brasília (Brasil) na Praça Galdino, acontece um dos atos públicos do povo “Pataxó Hã-Hã-Hãe”, com um ritual para lembrar a luta do indígena, queimado e morto em abril de 1997, enquanto reivindicava na Capital Federal a nulidade dos títulos imobiliários dos invasores das terras de seu povo.

      “Os ministros do Supremo (Supremo Tribunal Federal - STF) precisam levar em conta todo o nosso sofrimento, toda nossa dor”, disse a irmã de Galdino, Yaranwy Pataxó Hã-Hã-Hãe.
      Mais de 100 indígenas do povo “Pataxó Hã-Hã-Hãe” estão em Brasília para atos públicos em defesa do território tradicional, localizado no sul da Bahia. As mobilizações ocorrem porque está em pauta no Supremo Tribunal Federal votação que trata da nulidade de títulos imobiliários dos invasores da Terra Indígena Caramuru.
      Hoje também os indígenas estarão ainda na Fundação Nacional do Índio (Funai) – autora da ação a ser votada pelo STF –, em reuniões com parlamentares e Advocacia Geral da União (AGU) para mostrar todo o histórico da luta pela Terra Indígena Caramuru. À tarde, por volta das 16 horas, realizam ritual indígena na Praça Galdino, na Asa Sul (703/704), e de lá seguem para vigília na porta do STF, que deve ir até perto das 22 horas.
      Em 2008, Eros Grau, relator do processo, recebeu os indígenas e seu voto foi pela nulidade dos títulos. Hoje está aposentado do STF, mas tanto o voto como a relatoria não perdem a validade. Segue na votação, conforme a pauta, a ministra Carmem Lúcia.
      Conforme relatou o ex-ministro, a perícia antropológica demonstrou a existência permanente de índios na região desde 1651. “O que atesta a identidade do povo “Pataxó Hã-Hã-Hãe”, bem como a ligação de seus integrantes à terra, que lhes foi usurpada”, de acordo com o texto.
      O relatório de Eros Grau salienta ainda que o argumento de que não é necessária a prova de que as terras foram de facto transferidas pelo Estado da Bahia à União ou aos índios, “ao fundamento de que disputa por terra indígena entre quem quer que seja e índios consubstancia, no Brasil, algo juridicamente impossível”. Considera, assim, que títulos oriundos de aquisição a non domino (aquilo que não é proveniente do dono) são nulos.
      Para os “Pataxó Hã-Hã-Hãe” fica a expetativa de que os demais membros da Corte do STF, a começar por Carmem Lúcia, se pronunciem e votem conforme o relatório do ex-ministro Eros Grau.
      “A luta do meu povo, há quase 30 anos (o processo corre desde 1982), é pela nulidade dos títulos. Antônio Carlos Magalhães (governou no Estado da Bahia por três vezes, sendo duas vezes nomeado pela ditadura militar – 1964-1985) deu títulos aos fazendeiros invasores mesmo com a área indígena demarcada e homologada”, aponta a cacique Ilza Pataxó Hã-Hã-Hãe.
      Desde que o processo foi aberto, cerca de 30 lideranças do povo foram assassinadas sem a punição de nenhum dos executores ou mandantes das mortes. Yaranwy Pataxó Hã-Hã-Hãe é irmã de Galdino, queimado numa parada de ônibus em Brasília enquanto lutava pelas terras de seu povo junto ao governo e STF. Cinco garotos de classe média alta atearam fogo em Galdino na madrugada de 20 de abril de 1997, horas depois dos protestos do Dia do Índio.
      “O STF precisa levar em conta todo nosso sofrimento, toda nossa dor”, diz Yaranwy. Para ela, caso o Supremo vote pela manutenção dos títulos estará dando um prémio aos invasores de terras indígenas, aos assassinos das lideranças do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe e esquecendo-se da memória de Galdino.
      Outros povos indígenas, como os Tupinambá da Serra do Padeiro, também da Bahia, mandaram representantes como apoio aos Pataxó Hã-Hã-Hãe. “As lutas pela terra são de todos os povos e os assassinatos ocorrem em todo país”, frisa o Cacique Babau.
      Rosane Kaingang, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), disse que “espera que a Corte do STF faça justiça e os ministros votem pela nulidade dos títulos. Estamos ao lado dos Pataxó nesse momento, assim como de todos os povos que lutam pela terra.”
      Mais info em: http://www.indiosonline.net/ ou na ligação permanente da coluna dos Sítios a Visitar.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A Luta das Pulgas

      Na próxima quarta-feira, dia 28 de setembro, as pulgas convidam todos para dois distintos atos: às 12H00 um panelaço artístico no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, que depois se dirigirá até a ANATEL do Rio de Janeiro, e às 21H00 outro ato no espetáculo de jazz que ocorre ao lado do Instituto.

      Estes atos são de repúdio pelo roubo do transmissor coletivo da rádio Pulga, ocorrido no passado dia 22, bem como repúdio pela tentativa de apreensão da rádio Interferência, no passado dia 20 e ainda da rádio Muda, no dia 15.
      Nas últimas duas semanas fecharam 60 rádios, por falta de licenças legais, concessões e apadrinhamento político e monopólio das corporações de mídia que silencia os povos do Brasil.
      Nos atos prestar-se-á ainda homenagem a Esmeralda Fernandes, líder comunitária que faleceu no passado dia 17 por ataque cardíaco devido ao encerramento da rádio Verona FM no Piauí.
      Podes enviar uma mensagem ao Reitor da UFRJ manifestando apoio à Rádio Pulga e repudiando a autorização da entrada de agentes da Anatel no campus: Carlos Antônio Levi da Conceição, Av. Pedro Calmon, 550, Edifício da Reitoria, 2º andar, CEP: 21.941-901 Tel.: 2598-9602 / 9603, E-mail: reitoria@reitoria.ufrj.br
      Até agora estão já confirmadas, para o ato das 12H00 os seguintes coletivos: Anarco-funk, Reciclato, Cirko Akrata, e na retransmissão a rádio Várzea de São Paulo em 107.10 FM.
      Mais info em: http://pulga.radiolivre.org/ ou na ligação permanente à Rádio Pulga na coluna dos Sítios a Visitar.


sábado, 10 de setembro de 2011

Atentado a Membro do MTST

      No passado dia 6 de setembro, dois homens armados invadiram a casa de Edson Francisco, membro da coordenação nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) em Brazlândia, DF; Brasil.
      Os homens arrombaram o portão, entraram na casa e dispararam vários tiros contra Edson que conseguiu fugir sem ferimentos graves.
      Desconhece-se a origem do atentado, mas a Coordenação Nacional do Movimento, em comunicado, afirmou ser a certeza de que o atentado faz parte da intensa criminalização sofrida pelos movimentos populares em todo o Brasil.
      Edson já havia sido ameaçado por algumas vezes, após o desfecho da ocupação Gildo Rocha, que resultou numa grande vitória do MTST contra o governo distrital.
      Além disso, militantes do MTST em outras partes do país estão sendo ameaçados de morte constantemente. Os casos de Minas Gerais e Amazonas são os mais recentes.
      No último dia 26 de agosto, uma comissão do Movimento foi recebida pelo Ministério dos Direitos Humanos que se comprometeu a analisar os casos, mas até agora nenhuma medida concreta foi tomada.
      A Coordenação Nacional do Movimento MTST afirma ainda, no comunicado, que o próprio comunicado «é uma denúncia contra a criminalização que agora passou das ameaças e foi à realidade. Serve como um apelo aos companheiros de luta e aos diversos meios de comunicação para que divulguem a grave situação dos lutadores populares no Brasil. Mas antes de tudo essa nota é um Grito. É o início de uma resposta. Pois, se acham que o MTST irá recuar diante disso, enganaram-se redondamente. Sabemos contra quem lutamos e o que queremos. Nossa luta continua e irá se intensificar por todo o Brasil. Não é por acaso que nossa bandeira é vermelha!»
      Mais info em http://www.mtst.org ou na ligação permanete na coluna dos Sítios a Visitar.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Buenaventura Durruti

      Num dia como o de hoje mas do ano de 1896 (há 115 anos), nascia em León (Espanha) o notável anarcossindicalista e miliciano antifascista Buenaventura Durruti (1896-1936).

      Anarquista, sindicalista, revolucionário e figura de destaque do movimento libertário espanhol, antes e durante a Guerra Civil Espanhola. Morreu com um tiro quando se dirigia para a frente de batalha.
      Participou da greve geral revolucionária de 1917 como militante da UGT, da qual seria expulso por defender posições revolucionárias. Mudou-se em 1920 para Barcelona, onde se filiou à CNT. Em 1922 formou, junto com Joan García Oliver, Francisco Ascaso e Ricardo Sanz, o grupo "Los Solidarios", levando a cabo um assalto ao Banco da Espanha de Gijón em 1923. Foram autores também do assassinato do cardeal Juan Soldevila y Romero, um dos principais financiadores em Aragão dos comandos de pistoleiros brancos da classe patronal, que assassinavam militantes operários destacados.
      Teve que fugir de Espanha, primeiro em 1923 para a França, depois em 1924 para a América Latina. Primeiramente foi para Cuba, depois para o México e para a Argentina. Esteve também no Chile, lugar onde junto com outros companheiros anarquistas realizou o seu primeiro assalto fora da Europa. Esta ação foi parte de uma campanha para juntar recursos para libertar companheiros que se encontravam em algumas cadeias da Espanha. Continuou na sua fuga por outros países latinoamericanos e europeus. No Uruguai continuou envolvido em ações revolucionárias, junto a grupos que executavam agentes da repressão, assaltavam bancos e, com esse dinheiro, financiavam sindicatos e meios de propaganda libertária. Em Montevidéu organizaram uma fuga coletiva da prisão de Punta Carretas, que ficou famosa.
      De volta a França, em 1925, junto com Francisco Ascaso e Gregorio Jover, planeou o rapto do rei Afonso XIII que na ocasião estava em visita a Paris. Mas a ação não chegaria a se concretizar e os três acabariam presos pelo aparato repressivo francês.
      Em diversas partes da Europa é organizada uma grande campanha de solidariedade a favor dos três anarquistas, contando com o apoio de diversos setores progressistas e intelectuais entre estes Louis Lecoin. A campanha alcança êxito e os três anarquistas são finalmente libertados em 1927.
      Após sair da prisão Durruti encontra-se com o anarquista ucraniano exilado em Paris, Nestor Makhno. Pouco tempo depois é expulso da França para a Bélgica de onde é novamente expulso para a França. Sem encontrar país de exílio, a União Soviética oferece-lhe asilo político, mas com a condição de reconhecimento do estado soviético e garantia de se abster de qualquer atividade no país. Durruti e Ascaso decidem não aceitar as condições, partindo para a Alemanha, de onde voltam, em 1929, à Bélgica.
      Em 1931 regressa a Espanha, integrando-se no setor faísta (membro da FAI) da CNT – beligerante com a II República – e tomou parte nas insurreições de Figols 1932 e 1933. Como consequência destas, foi deportado pelo governo republicano, como preso preventivo junto a outros anarcosindicalistas na Guiné Equatorial e nas Canárias, no barco mercante “Buenos Aires”.
      Durante todo o período republicano participou ativamente em greves, motins e conferências por todo o território espanhol, passando numerosas vezes pela prisão.
      Em circunstâncias nunca totalmente esclarecidas, Durruti é morto com um tiro a 20 de novembro de 1936, quando se dirigia à frente de batalha. É difícil acreditar que uma bala inimiga tenha sido disparada do Hospital Clínico, ao lado do qual ele passava, pois era uma bala de curto alcance. Alguns acreditaram que os seus rivais comunistas o mataram; outros, que foram os próprios anarquistas, preocupados com as suas simpatias bolcheviques, ou até por discordarem da sua severa disciplina. Alguns argumentam ainda que se trataria de um acidente: a trava de segurança do naranjero ou submetralhadora leve de um companheiro prendeu-se na porta do carro e disparou uma bala.
      Buenaventura Durruti, o mais conhecido revolucionário anarquista do século XX, aquando da sua morte, deixou como seus bens uma mala velha com roupa pessoal e uma caderneta com uma dívida de 100 pesetas para com a CNT.
      O corpo de Durruti foi transportado pela Espanha até Barcelona para o seu funeral. Mais de 250 mil pessoas saíram às ruas para acompanhar o cortejo fúnebre durante a rota até ao cemitério de Montjuic. Esta foi a última demonstração pública anarquista de grande amplitude durante a sangrenta Guerra Civil Espanhola.
      São célebres e hoje sempre citadas muitas das suas expressões, como as duas que seguem:
      «Levamos um mundo novo em nossos corações: esse mundo está crescendo neste instante.»
      «Já se organizaram em coletivos? Não esperem mais. Ocupem as terras! Organizem-se de forma a que não haja chefes nem parasitas entre vocês. Se não o fizerem, é inútil que continuemos avançando. Precisamos criar um mundo novo, diferente do que estamos destruindo.»


sexta-feira, 8 de julho de 2011

Pimenta no Cu dos Outros

      No passado dia 3 de julho, no Porto, foi colocada uma faixa, no Viaduto VCI, na Rua de Costa Cabral, com a seguinte inscrição: “Pimenta no cu dos outros é refresco – Hoje a Grécia amanhã Portugal”.

      No primeiro dia de julho, cerca de 20 pessoas, entre anarquistas e solidários, estiveram presentes na embaixada da Grécia em Lisboa, para desta forma se solidarizarem com a luta do povo grego e repudiar a repressão brutal que foram alvo centenas de pessoas, principalmente em Atenas, durante as duas últimas greves gerais.
      Um comunicado, aprovado em assembleia e por consenso, foi entregue no corpo diplomático grego de Lisboa. O texto referia a escravatura laboral, o desemprego brutal, a regressão dos direitos sociais impostos pela UE, FMI e BE e contra os quais a luta é a mesma, em Portugal ou na Grécia, repudiando-se ainda em particular a utilização pelas forças de segurança gregas, durante a greve de 48 horas dos passados dias 28 e 29 de junho, de gás com produtos químicos, alguns dos quais proibidos pela Convenção de Genebra desde 1925.
      O presidente da associação farmacêutica nacional da Grécia afirmou pretender apresentar uma ação judicial contra o governo daquele país relativamente ao uso de substâncias ilegais porque não foi usado apenas gás lacrimogéneo, mas outros produtos inclusive com agentes asfixiantes.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Aldeia Internacional Autogestionada

      Começaram ontem os preparativos para a “Aldeia Internacional Autogestionada”, que está a ganhar forma em França, perto de Nantes, a propósito da luta contra as cimeiras do G8 e do G20 deste ano que aí ocorrerão.

      Com “inauguração oficial” no próximo dia 11 de julho e fim indefinido, este pretende ser um espaço concreto de recusa do capitalismo.
      “Desde há algum tempo emerge a vontade de sair dos esquemas das lutas clássicas. Precisamos de utilizar momentos e lugares diferentes daqueles decididos pelos governos nas cimeiras internacionais”, explica o colectivo informal “NoG2011”, que se juntou nas reuniões de preparação das contra-cimeiras do G8 e G20. Acrescentando que “Desejamos acima de tudo sair da simples crítica e concentrarmo-nos na convergência internacional, na troca e partilha de práticas, para solidificar as nossas redes.”
      Desde o início de 2010 que acontecem encontros de reflexão sobre novas formas de mobilização internacional, com um claro pessimismo sobre a capacidade atual de impedir a realização de uma grande cimeira.
      “A nossa luta contra o capitalismo tomou muitas vezes a forma de encontros e acampamentos internacionais contra o G8 e o G20, ou acampamentos temáticos como os “No Border” ou “Climate Action”. A reflexão sobre estas contra-cimeiras mostra que a pressão do tempo e a repressão nos limitavam na realização dos nossos objetivos. Acima de tudo, não nos soubemos renovar e voltar a surpreender o inimigo, as contra-cimeiras institucionalizaram-se e fazem já parte integrante do espectáculo.” A cimeira da OTAN-NATO em Novembro passado em Lisboa, foi disso mais um bom exemplo.
      Na “Aldeia Autogestionada”, haverá múltiplas possibilidades para ateliers e debates, para construir laços e reforçar futuras mobilizações. Para além disso, ela acontecerá no contexto de uma importante luta local. Em Nantes, existe o plano de destruir 2000 ha de terrenos agrícolas para construir um segundo aeroporto.
      Desde há dois anos, na ZAD (Zona a Defender), inúmeros ativistas têm-se juntado à luta dos camponeses locais, ocupando os terrenos e vivendo de forma simples em acampamentos ou casas nas árvores.
      A aldeia permitirá conhecer e dar visibilidade a esta luta, partilhar experiências e ideias, preparar as mobilizações contra a cimeira do G20 (em Novembro, em Paris), mas também festejar em conjunto – através de bares, concertos e outros momentos artísticos.
      As táticas mudam, a resistência continua.
      A mudança de táticas começou já na cimeira do G8, nos passados dias 26 e 27 de maio. Enquanto os líderes dos países mais ricos do mundo se reuniam em Deauville, os mais de 20 mil polícias que os protegiam não tiveram de fazer mais do que assistir a uma manifestação e um “fórum das alternativas”, organizados por um coletivo de partidos, associações e sindicatos franceses.
      Por outro lado, sob o lema, “o G8 está em todo o lado, nós também!”, diversos grupos responderam ao apelo do “NoG2011” e, nesses dois dias, levaram a cabo ações em mais de 30 cidades, em 6 países diferentes. Em Paris, dezenas de pessoas ocuparam durante duas horas a agência de notação (“rating”) “Standard & Poor’s”.
      “Apontamos o dedo àquilo a que nos opomos todos os dias: um sistema económico em favor dos bancos e das multinacionais, à custa das pessoas. Globalizando guerras e austeridade, causando destruição ambiental e criando individualismo e a destruição dos laços sociais”, explicaram os ativistas. Prova da atual diversidade de lutas contra o capitalismo foram também as acampadas por uma “democracia verdadeira já”, que, durante esses dias, estavam a acontecer por toda a Europa.
      “Após décadas de análises políticas e debates intermináveis, sabemos como são violentos os efeitos do capitalismo, para os povos e para o ambiente”, lia-se no blogue “NoG2011”.
      Porque “se o capitalismo é único e mundial, as lutas são múltiplas e locais.”
      O convite está feito: “De 9 de julho até ao fim do mundo (autoritário, pelo menos!)”.
      Mais info nas ligações abaixo (também com ligações permanentes na coluna dos Sítios a Visitar):
      - http://nog2011.noblogs.org/
      - http://www.mobilisationsg8g20.org/
      - http://www.gzero.info/


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Indignados em Barcelona

      Das manifestações de ontem (19 de junho), a que ocorreu em Barcelona (Espanha) foi das que teve a maior adesão, contabilizando-se mais de 100 mil participantes.
      Perante o êxito, novas mobilizações foram já convocadas para os próximos dias, enquanto os mass media e os partidos do regime mostram perplexidade perante a capacidade mobilizadora do chamado movimento “15-M” ou dos "indignados".
      Se bem que o movimento está longe de representar uma aposta revolucionária ou anti-sistema, a sua persistência e tabela reivindicativa anti-neoliberal põe em evidência a identidade programática do conjunto de forças política do sistema capitalista.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Manif Internacional 19JUN

      O movimento “Democracia Verdadeira Já”, criado depois da “Acampada de Lisboa”, realizada no Rossio e que acabou em detenções, agendou uma manifestação para o próximo dia 19 de junho (domingo), dia para o qual estão previstos protestos semelhantes em 700 (setecentas!) cidades em todo o mundo.
      Em Lisboa o protesto terá início no Cinema S. Jorge, pelas 16 horas, seguindo pela Avenida da Liberdade até ao Rossio, aí se realizando, pelas 19 horas, uma assembleia popular.

 

      Para os organizadores, este protesto dirige-se a todos os que “sentem a necessidade urgente de uma democracia mais verdadeira, centrada nos cidadãos e afastada dos interesses económico-financeiros predatórios”, afirmando ainda que não é um protesto contra a crise ou a ajuda financeira externa em Portugal, mas sim contra, como dizem, “a atual governabilidade do Mundo”. 
      Mais info em:
      http://www.acampadalisboa.net
      http://15maio.blogspot.com/

 

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Apartheid

      Foi num dia como o de hoje mas do ano de 1976 (há 35 anos) que ocorreu o levantamento revoltoso do Soweto (subúrbio negro de Johanesburgo), uma das mais sangrentas rebeliões negras durante a vigência do regime racista do “Apartheid” na África do Sul. 
      Desde os anos de 1960 que os negros haviam iniciado manifestações contra o regime racista instituído cerca de 10 anos antes. 
      Os primeiros a manifestarem-se foram os estudantes negros, pois estes tinham que pagar para poder frequentar as escolas e estas eram próprias só para negros, com péssimas condições, superlotadas e se professores qualificados, por oposição às boas escolas e gratuitas de que os brancos desfrutavam. 
      O regime de segregação racial determinava, por lei, que os brancos detinham o poder total e os demais povos deveriam viver separados dos brancos com regras próprias que lhes impunham não lhes permitindo qualquer direito de cidadania. 
      A segregação ia ao pormenor de distinguir os transportes públicos, havendo transportes próprios para brancos e outros, piores, para negros, com as suas respectivas e distintas paragens. Segregava-se tudo: lojas, praias, piscinas, bibliotecas, até os bancos nos jardins tinham indicações de “só para brancos” ou “só para europeus”.